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Pense no que disse Nicolás Gómez Dávila:
"A legitimidade de um poder não depende da sua origem, mas dos seus fins ."
Chuva de cocô?
Decididamente, o mundo já não é o mesmo. Na cidade francesa de Saint-Pandelon, já a alguns meses ( desde maio), está chovendo cocô. Imagine-se uma circunstância dessas: um guarda-chuvas empastelado de cocô. Ao longo dos meus grisalhos jamais tinha tido contato com uma informação desta natureza. A população, incrédula, quer explicações do governo e das companhias aéreas. Técnicamente é impossível a um avião pressurizado liberar dejetos em pleno vôo. Exames preliminares indicam que os excrementos são de aves.
Já que a situação é divertida, imaginemos tal circunstância em terras brasileiras. O humorismo estaria em alta, ainda mais em tempos de eleição. Partindo da premissa que um bando de aves migratórias seria capaz de produzir tal quantidade de cocô, fica a desconfortável sensação, aos franceses, de que a vida começa a oferecer novos paradigmas. Os pesquisadores acreditam que o material provém do andorinhão, que apesar do nome, nem é tão grande assim.
Uma circunstância dessa natureza, aqui no Rio Grande do Sul, nos traria sérios problemas, considerando que temos, ao longo do dia, as quatro estações do ano. A condição tropical do nosso clima favorece a existência de aves maiores, que provavelmente podem produzir mais quantidade deste tipo de chuva. Ainda bem que galinha não voa.
O fenômeno é passageiro, e após a revoada de época, os franceses lavarão telhados e calçadas. O assunto deverá render boas piadas nos tradicionais cafés parisienses. De qualquer modo, o fato é inusitado, e se não é inédito, pelo menos está sendo bem divulgado.
Confesso que não vou rir tanto dos franceses. Tenho na lembrança o ditado que avisa aos incautos: quem ri por último, ri melhor. Não nos esqueçamos que estamos em plena campanha política, onde promessas e realizações inatingíveis têm a vulgaridade de um cocô de pássaro. Parecem inofensivos até que você pise nele.
Nossas movimentações políticas também são notícia na Europa. E eles todos, não só os franceses, estão de olho no que acontece na terra tupiniquim. Meu medo é que, ao resultado das eleições, eles tenham longos acessos de riso em função dos nossos resultados eleitorais, o que, sem qualquer dúvida, vai expor nossa aprimorada consciência política, moral e ética.
Tomara os papéis fossem invertidos. Eles às voltas com eleições presidenciais e nós com um breve chuvisqueiro de bosta. Mas não é assim. Está certo, tirei o meu pitaco sobre a desgraça francesa de Saint-Pandelon. Espero que eles também levem na esportividade o que estamos prestes a decidir sobre o futuro do nosso Brasil.
Enquanto tudo caminha para o seu final, fico entre notícias da guerrilha mexicana, onde o tráfico sinaliza o domínio sobre a sociedade. Falar do terrorismo venezuelano já nem tem mais graça. Tenho que me convencer que, nos dias modernos, os envolvidos com terrorismo ainda podem se dar muito bem na hierarquia do poder. As notícias estão aí.
Sempre resta uma alternativa: a França é logo alí, e o nome da cidadezinha até é simpático.
Quem sabe?!
Sete anos no Iraque
Em 20 de março de 2003 o céu de Bagdá se iluminou ao trovoar da invasão norteamericana. Passaram-se sete anos de uma deslavada mentira proferida por George W. Bush, o presidente que jurava haver armas químicas e intenções nucleares naquela pobreza empastelada de areia. O petróleo sempre foi dos ricos.
Nesta terça-feira, 31, Barack Obama usou o reservado Salão Oval da Casa Branca para anunciar, oficialmente, a retirada dos americanos do solo iraquiano. Mais de 90 mil homens já voltaram para casa. Ainda restam 50 mil para serem removidos, incluindo toda a infraestrutura bélica transportada para lá.
A guerra de Bush matou 55 mil revoltosos. Cinco mil militares americanos morreram nos conflitos e tocaias urbanas. O país virou palco de uma guerra civil entre xiitas e sunitas, coisa que os americanos não quiseram e não souberam resolver. Deixam a região à sua própria sorte, apesar de Saddam Hussein já não fazer parte do cenário político. Ele foi enforcado em 2006.
O que o mundo questiona agora é o futuro do Iraque. Ninguém aposta no resultado do conflito interno. Muitos ainda vão morrer. Os poucos militares americanos que permanecerão lá, têm a função de treinamento. Deixarão de ser alvos da revolta dos iraquianos? O tempo dirá.
Barack Obama pretende manter dois mil americanos em trabalhos ligados à embaixada em Bagdá. Todas as peças do tabuleiro foram jogadas. Passaram-se sete anos de uma invasão que pretendia, no íntimo americano, a vingança pelo 11 de setembro.
Osama Bin Laden nunca foi capturado, o enforcamento de Saddam não resultou em paz interna, e agora, sob o manto da pacificação, os americanos abandonam um país arrasado e sem perspectivas no cenário mundial. A paz pode ser construída assim?
O gesto de Obama reflete apenas o cansaço dos americanos com uma empreitada tremendamente mal armada pela incompetência de George Bush. Mas fica a incômoda sensação de que esta história ainda pode estar longe do fim. Muito longe.
O futebol é a alegria do mundo?
Certamente não.
Certo que, para a Argentina, Alemanha, Brasil, Espanha e Itália ele tenha um sabor todo especial.
Mesmo assim, o futebol não é o esporte preferido do mundo. Talvez um dia chegue lá.
Depois do fiasco francês nesta copa, o técnico Dunga vive momentos críticos em seu destempero depois da entrevista coletiva, onde estremeceu suas relações com os astros globais como Alex Escobar.
A Globo, dona das imagens da copa em território nacional, julga-se acima da crítica e da lógica. Não estou contra a Globo, nem a favor de Dunga. Sou um mero espectador do que acontece dentro das quatro linhas do campo.
Algumas peças parecem fora do lugar nesta imensa torre de Babel em que se transformou a África do Sul. Galvão Bueno, na década de 90, criticava o fracasso da seleção quando citava pejorativamente a participação do atual técnico brasileiro naquilo que chamava de Era Dunga.
As vitórias e conquistas posteriores parecem não ter amaciado os ânimos da poderosa Globo e seus maiorais. A rejeição a Dunga é impressionante. Se o Brasil ganhar a copa e obter o hexa, ainda assim, Dunga será rejeitado.
Existem sinais fortes dessa rejeição no ambiente global da copa do mundo. Para os maiorais do plim-plim, Kaká é ídolo inconteste.
Messi, com sua genialidade Argentina, é uma sombra delicada neste brilho imposto pela preferência desmedida de Galvão Bueno. Mas Kaká, mesmo que aos pedaços, será sempre o Kaká.
Assim, enquanto a competição se desenrola, temos que, sutilmente, descobrir as preferências globais e agüentar o Faustão empurrando torpedos a quatro reais, condicionando aqueles que não participam dos sorteios como seres alienados do mundo moderno.
A globo enfiou em solo africano mais de 270 profissionais que, entre um jogo e outro, precisam se manter no horário nobre com informações que superem a média. Mesmo chorando de frio precisam ser insuperáveis. Senhores de todas as verdades, sejam quais forem.
Isto está no ar, de forma cristalina, ao longo de toda a competição. Kaká é o rei, Dunga é problemático, e o mundo não sobreviverá sem a primazia brasileira no futebol mundial. Pelo menos é isto o que querem aqueles que se julgam no direito de julgar quem deveria ou não deveria estar lá.
Definitivamente, se o Brasil for eliminado, a culpa será do Dunga. Se o Brasil vencer, a glória será de Kaká. O resto do time é apenas o resto do time. Acho que Dunga deveria se retirar do cenário da CBF após a copa, deixando caminho aberto para as preferências globais e suas ambições em transmissões esportivas. Tenham certeza, um dia Kaká será o técnico.
Isto me faz lembrar as dificuldades do cargo que Dunga ocupa. Certa feita Zagalo, absurdamente irritado com a imprensa, desferiu em alto e bom som: “vocês vão ter que me engolir!”. Deveria ter seus motivos para ter dito isto.
Pelo jeito, aconteça o que acontecer durante a Copa, o grande perdedor será o técnico Dunga, campeão ou não.
Termino por aqui, pois é hora do comercial do Faustão, tentando me convencer a comprar quatro pilas de torpedos.
Só o amor pelo futebol poderia me fazer ouvir e ver tanta besteira.
Ninguém merece. (plim-Plim).
Ouvi. Não acreditei...
O que vi no noticiário nacional deve ter sido acompanhado por outros milhões de brasileiros. Um dos maiores absurdos que já se veiculou no mundo da notícia: o presidente deste imenso país encenou um deboche aos países que não praticam a carga tributária assassina que castiga o povo brasileiro.
Segundo ele, o presidente, taxações tributárias limitadas em 9 ou 10% não permitem que exista um Estado forte, respeitável. Isto significa que países com estes limites de carga tributária não são países sérios. Sua teatralidade foi de uma infantilidade assustadora. A justifica do atual presidente deste imenso Brasil é uma afronta à inteligência coletiva.
Ao ver e ouvir tamanha sandice, minha frustração foi imediata. Outros milhões de brasileiros devem ter tido a mesma impressão. Só na área dos medicamentos, explicitado na reportagem, a taxa tributária não é inferior a 33%.
O Brasil tomou ciência disto. Ainda precisava?
O líder beste imenso Brasil seria o mesmo que lutou em portas de fábricas contra o capitalismo selvagem?
Seria o mesmo homem que, antes de vinhos caros e ternos italianos, vestia as mesmas frustrações nacionais e camisetinhas da rua
25 de março?
Nunca mais tentarei responder esta pergunta, pois certamente aquela declaração não corresponde ao que se esperava do presidente deste imenso Brasil, pelo menos no trato com os milhões de pobres que pagam a conta de um Estado absurdamente perdulário. Com certeza ele não é mais o que era.
Depois da frustração, um tapa na cara da realidade: agora dá para entender a multiplicação descontrolada com os gastos publicitários das realizações do atual governo federal, muitas delas apenas no papel. Agora dá para entender mensalões e mensalinhos, dinheiro em meias e cuecas, e todas as incongruências que o populismo presidencial consegue, a duras penas, manter na discrição.
A mensagem nos deixa antever as conseqüências do que foi, e perigosamente, poderá continuar sendo.
Os que viram o que vi devem estar sentindo o mesmo: vergonha. Uma vergonha dolorida, que sufoca sonhos pessoais e conquistas sociais. Nesta cena, a filosofia presidencial justifica que o povo precisa continuar pagando a sanha capitalista daqueles que se agarram às mentiras que embalam o sonho de igualdade para o “povo”.
A imagem e o som deixaram claro que ao brasileiro está fadado o destino que merece, enquanto acreditar que o presidente deste imenso país é um homem que ainda pensa na grandeza da nação como patrimônio inalienável de seus filhos. Alguns acordaram do sonho.
Somos apenas os explorados que sustentam a grandeza da realeza insaciável.
Talvez tenha tido, o presidente deste imenso Brasil, esta atitude ao relembrar a sabedoria daquela velha e surrada frase: cada povo tem o governo que merece!
E, de fato, tem!
Israel repete os erros do passado...
Depois das atrocidades nazistas, durante a segunda guerra mundial, o Estado israelense nascia como que um pedido de desculpas para a barbárie que o mundo havia contemplado. Amenizava-se assim a crueldade entre fracos e fortes, ricos e pobres, e, quem sabe, entre o bem e o mal.
Desde 1947 Israel é um país polêmico, já que boa parte dos palestinos não reconhece os direitos desta nação que se fez forte com o auxílio dos vencedores do maior conflito da humanidade. Todos nós conhecemos os altos e baixos desta relação belicosa entre o estado israelense e a comunidade palestina. Um conflito eterno enquanto os judeus não se conscientizarem que existem outras etnias com os mesmos direitos.
Jerusalém seria o “x” da questão?
Talvez, mas existem outros fatores que contribuem, em muito, para o clima de intolerância existente naquela região. O principal, apesar da redundância: a intolerância.
Juristas do mundo inteiro procuram argumentos para uma conciliação, que, basicamente, também deveria supor a oficialização de um estado palestino, coisa que Israel não admite.
O recente ataque a uma frota humanitária turca, em águas internacionais, expõe uma nova figura para a intolerância já citada. A desproporcionada força empregada neste ato belicoso agita as comunidades internacionais. Protestos mundiais vão fazer a ONU repensar estas relações de convívio antes que uma guerra generalizada acabe por sentenciar os anos em que um paz delicada e tênue luta para se consolidar.
Ninguém nega os direitos judeus a sua autonomia, mas é pouco provável que todos os demais países possam aceitar com naturalidade a opressão do exército israelita sobre povos vizinhos oprimidos, onde até mesmo o acesso a água é controlado. Será que o futuro garantirá esta separação pelo ódio entre um povo de raízes iguais, fazendo dos textos bíblicos uma profecia fatalista que se estende aos milênios futuros?
Na prática, o último gesto do exército de Israel não difere muito daquilo que o nazismo proporcionou em suas invasões européias. Superiores em tecnologia e agressividade, os atuais senhores de Jerusalém se julgam acima da crítica mundial, tal qual a sandice hitlerista fez perante o mundo, podendo trazer ao cenário do Oriente Médio uma repetição dos fatos que, entre 1939 e 1945, comoveram o planeta.
A paz mundial pode estar balançando num perigoso pêndulo que, a julgar pelos fatos atuais, não parece primar pela justiça e pelo compromisso com a paz.
Inconcebível aceitar que, em pleno século XXI, a terra santificada por tantos deuses seja um estopim lento e irreversível para o extermínio de inocentes que só querem, e têm o direito, a viver em paz sob suas próprias aspirações.
Esta nova face do Estado judeu parece renegar toda a tolerância que lhes permitiu nacionalidade e orgulho. Se as manchetes mundiais estão mostrando apenas a face do extremismo, de ambos os lados, que os órgão internacionais tenham discernimento para restituir a verdade dos fatos, com soberania e justiça.
A soberba teria lhes afetado o discernimento e o senso de justiça?
Lamentavelmente, a julgar por suas últimas ações, parece que sim.
Tomara que a estrela de Davi não acabe com a mesma representação fatídica da suástica nazista.
Apaga-se a luz do fim do túnel (em 24/05/2010)
Meu post anterior falava de uma luz ao final do túnel, quando a Justiça parecia estar sentenciado os políticos falcatruas, conhecido como “fichas-sujas”. A sequência do assunto, na mídia nacional, me põe numa situação difícil. Muito difícil.
A construção do texto que determina o futuro político dos pilantras está vivendo um momento de indefinição, onde ninguém está sabendo se a punição vale para que foi, ou é, ficha suja. Ou seja, a conjugação verbal pode manter a ladroagem no convívio da sociedade.
Lembra quando tinha que conjugar os verbos em prova oral em sala de aula?
Não, a garotada já não sabe o que é isso. Só para refrescar a memória: eu era, tu eras, ele era... eu sou, tu és, ele é... eu serei, tu serás, ele será....
Pois esta colocação verbal, dentro do texto que definiria a situação dos políticos de passado duvidoso, parece atrelada a um fator determinante: vai punir quem era, quem é ou quem será? Com base neste impasse, a luz do fim do meu túnel está se apagando por falta de energia. Algo como se uma ventania de canalhice apagasse minha vela.
Vão discutir a possibilidade à exaustão.
Na dúvida, que era ficha suja espera uma indulgência não declarada. Os que são ficha suja anseiam pela determinação do verbo em tempo futuro. Na prática, acabaremos vendo o seguinte: liberados, os que eram vão continuar sendo, e no futuro, ainda o serão. Os que são, ligados aos que eram, vão apostar em quem será capturado pela conjugação verbal. Invariavelmente, os que eram, aliados aos que são, acabarão sendo os mesmos que serão.
Não se preocupe com a confusão do texto. Se esta confusão não existisse, a coisa toda estava resolvida. A justiça parece não saber quem era, quem é ou quem será. Isto me remete ao maior dilema de Shakespeare: ser ou não ser, eis questão.
Por redundância, minha luz do fim do túnel pereceu pela teatralidade shakespeareana da Justiça.
Eu desisto, tu desistes, ele desiste, nós desistimos, vós desistis, eles não desistem. Viva a democracia!
Enfim uma luz no fim do túnel (em 20/5/2010)
O senado aprova, por unanimidade, o projeto que sentencia ao ostracismo os fichas-sujas. Encaminhado à presidência, e não havendo vetos importantes, pode ser que o eleitorado consiga retomar o sabor festivo de uma democracia decente.
Na seqüência deste episódio, o presidente Lula deverá ser pressionado por aqueles que obviamente serão prejudicados pela medida. Não esperemos que esta tentativa de sepultar a nova medida seja feita a céu aberto, em frente a holofotes e microfones. Quanto mais na surdina, melhor.
Lula ainda vai suar um pouco.
Parece, contudo, difícil enterrar esta decisão, já que a unanimidade do senado reflete a intensa pressão que os diferentes setores da sociedade vêm fazendo há muito tempo. Parece ter valido o esforço, e, em sendo assim, lá vai meu voto de confiança a seriedade da proposta, apesar da ansiedade pelo definitivo final desta novela que se arrastou durante anos. Quando, e se este dia chegar, terei imenso prazer em revigorar a aparência de meu título eleitoral, recuperando o orgulho de ter participado ininterruptamente deste processo que, basicamente, deveria ter respeitado a dignidade de todos os brasileiros que comparecem a frente das urnas.
A partir daqui, com o fim dos fichas-sujas, uma verdadeira possibilidade da consolidação da soberania de um país digno e honrado.
Deveria ter sido sempre assim. Antes tarde, do que nunca.
Obrigado senador
Quando a balela do fichas sujas ajuda a emporcalhar o noticiário nacional, tenho o orgulho de poder cumprimentar o senador Pedro Simon, que em suas mais recentes declarações traz duras críticas à política nacional, afirmando que nos dias atuais tudo é farinha do mesmo saco, tomando a decisão de encerrar sua carreira política ao final de seu atual mandato.
Segundo o senador, e que ele me perdoe o caradurismo de copiá-lo, o Brasil já não tem partidos políticos. Tem acordos. Tudo gira em torno da governabilidade. E a governabilidade não tem personalidade. Tem figuras. Vivemos um cenário de figuras proeminentes e outras nem tanto.
Temos reclamações de candidatos nanicos que contestam pesquisas e espaços na mídia. O Brasil está cheio de revoltosos que esperam e esperneiam por uma oportunidade de sentar ao banquete da governança.
Quatro anos de fama.
A desilusão de Pedro Simon é contagiosa. Não que ele possa nos contagiar, mas ao contrário, acabou sendo contagiado pela desilusão nacional. Paulo Maluf ainda é personalidade, assim como Fernando Collor de Melo, Ciro Gomes e outras tantas figuras do imaginário popular. Não temos mais causas para lutar. Não temos mais heróis para nos espelhar.
Entre bolhas de crises econômicas européias e fronteiras visinhas cerceando a entrada de produtos brasileiros em terras castelhanas, tudo gira em torno desta malfadada governabilidade. Nos faltarão siglas políticas para acordos de governabilidade. Nossos horizontes se estreitam e nossas esperanças sucumbem em frente da novela de horário nobre.
Seguiremos no cabresto das oportunidades para poucos. A nacionalidade brasileira está sendo perigosamente misturada com a política de terroristas amparados por benesses da governabilidade. Morre o passado, como se nunca houvesse existido. Já descobrimos novos usos para cuecas e meias. Os porões do DOPS estão vazios. O passado nunca existiu.
Em tempos de copa do mundo, os casarões da república se preparam para um recesso futebolístico que, em seus intervalos, nos tentará convencer a acender uma vela para deus e outra para o diabo em palanques enfeitados para governabilidade. Deste ponto para o anarquismo inventado por franceses a distância será pequena. Viveremos um país de muitas leis e inatingíveis pilantras.
Os fichas sujas terão espaço e mídia. Veicularão a moral baseada no faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Festivos palanques contarão vitórias. Deuses e demônios na mesma reunião festiva onde a democracia é aspecto decorativo na sanha pessoal daqueles que fazem tudo pelo poder, até mesmo visitar o inferno e dar um beijo no capeta.
E nós, mortais obrigados por lei a exercer o sagrado direito do voto, temos que optar entre a cruz e a caldeira. Somos obrigados a uma escolha. Que ela seja a menos pior.
Ao menos nos resta a verdade inequívoca de homens como Pedro Simon. Estas verdades não podem e não devem calar.
Parabéns senador pela sua tradicional sinceridade. Faço da sua, a minha tristeza.
Upando novidades...
A movimentação no cartório eleitoral de Tramandaí foi grande nos últimos dias. Uma avalanche de jovens partiu em busca de seu título eleitoral, mesmo sem saber direito o que isto significa para os princípios da cidadania que começam a conquistar em tão tenra idade.
Daqui para a frente, entre um novo game lançado na semana e o último post do Twitter, eles vão começar a dedicar algum tempo na escolha do candidato que mais se assememlhe às suas visões de mundo. Política é um fato novo, e é claro que eles vão procurar semelhantes nesta primeira caminhada pela democracia.
Todos precisam de um ícone nos dias de hoje. Imagem passa a valer mais do que promessas.
Os pesados discursos dos sisudos senhores da política podem não impressionar esta garotada. Ainda que não se tenha o percentual oficial de jovens que ingressam nestas estatísticas, o certo é que a velha receita de sustentação no cenário do poder está sendo posta à prova, e a grande maioria dos velhos nomes não saberá motivar a garotada.
Ainda que os municípios passem ilesos nesta experiência de 2010, já que as eleições estão num outro nível, as próximas eleições municipais terão que saber explorar as ferramentas da moda, onde a juventude encontra eco para os seus cotidianos de aventura.
Quando chegar a hora de vereadores e prefeitos, os velhos lobos terão que se adaptar muito bem para entender os uploads e downloads que a rede mundial colocou na vida destes novos eleitores. Onde estarão os avatares da sabedoria?
Nesta hora veremos que será deletado e quem será instalado na lista de preferências desta horda de eletrônicos. Decididamente, tem muito político tradicional que não terá banda larga para acompanhar a tendência da galera.
O rodeio no concreto
O mundo moderno está repleto de tentativas de quebra de paradigmas. Depois da evolução industrial, ou revolução, como gostam os ingleses, o mundo se tornou rápido demais para o entendimento de alguns. Estas mudanças rápidas e novos desafios são parte importante do mundo moderno, e, afinal de contas, a humanidade parece ganhar alguma coisa com isto. Nem por isto deixamos de ver alguns ineditismos como estranhos.
Um exemplo disto é a decisão da prefeitura municipal na realização do Rodeio de Tramandaí no Centro Municipal de eventos, local produzido com tecnologia voltada a outros usos, onde, nem de longe, poderíamos imaginar o tropel de cavalos em lugar tão avesso às tradições gaúchas.
Vai ser difícil, e contestada, a prática dos hábitos gaudérios num cenário tão estranho à gauchada. As lides campeiras incluem provas que habitualmente ocorrem em espaços imensos, como a prova de laço. O tipo de piso do Centro de Eventos não parece adequado a estas performances, tanto dos animais como dos próprios ginetes. Alguma coisa deverá ser modificada para que o ambiente se torne mais favorável a este tipo de festa?
Seja lá como for, este pode ser mais um paradigma a ser enfrentado: cavalos e humanos num local estritamente urbano. Por mais tradicionalistas que possamos ser, não parece haver sintonia entre o ambiente e o que está para acontecer naquele local. Bombachas e esporas num piso de concreto nivelado a laser é inusitado, e escorregadio.
Já que a proposta está em andamento, e a proximidade do Rodeio não deixa grandes espaços para manobras políticas, é importante que se tenha em mente a possibilidade da festa não ser bem recebida pelos tradicionalistas mais distanciados dos modernismos. A preocupação vai além do chimarrão e do churrasco. O verdadeiro desafio será o comportamento dos animais num lugar até agora impensado para este uso.
Sem dúvidas, um grande desafio a ser vencido. Para isto, uma boa dose de convencimento aos aficcionados da tradição gaúcha e uma grande disposição em facilitar esta lide toda. Quanto aos animais, pouco poderá ser feito para permitir que a bagualada possa se sentir à vontade e consiga liberar suas energias com a mesma desenvoltura notada em longos gramados verdejantes.
Realmente, um grande paradigma.
Peguem o Chevette...
Se o acontecimento não fosse sério demais para a sátira, poderia dizer que chega a ser cômica a situação ocorrida em 8 de abril, quando restos de petróleo aparecem na costa gaúcha, pontilhando 23 Kms de praia com agentes poluentes importantes.
Tudo isto acontece poucos dias depois da Emenda Ibsen, cuja repercussão já foi suficientemente exposta pela mídia. Seria um castigo? Claro que não.
As manchas de óleo na praia representam apenas o resultado do manuseio constante de um produto que pode causar sérios danos ao meio ambiente. Apenas isto.
O inusitado dessa situação é que a FEPAM verificou imediatamente a ocorrência, sem, entretanto, ter chegado a qualquer conclusão óbvia sobre o acidente. O mais assustador é que, até agora, ninguém pode ser responsabilizado oficialmente pelo ocorrido, como se fosse muito difícil identificar as empresas que lidam com este tipo de possibilidade. Será preciso complicada análise química para saber o que é?
Será preciso uma investigação profunda para descobrir quem realiza este serviço em nossa costa?
Mesmo para os leigos, é claro que estamos falando de petróleo que foi depositado por algum tempo no fundo mar e, com as recentes ressacas, acabou sendo jogado na praia.
Hão de dizer que os royalties servem exatamente para estas circunstâncias. Verdade. Mas não é esta a discussão.
Estarrecedor saber que o fato em si não consegue responsabilizar e punir os causadores ou responsáveis pelo estranho fenômeno tido como inexplicável, não passando de um desconfortável acaso.
A força política neste episódio é avassaladora. As multas deveriam ser estratosféricas, mas não há a quem multar.
Ouso sugerir às autoridades que o acidente do dia 8 de abril, na costa do Rio Grande do Sul, foi causado por um velho Chevette com problemas em seus retentores. Ainda não deu para identificar a cor e o ano, mas os órgãos competentes logo chegarão lá.
Perdoem a sátira. O assunto é sério demais para brincadeiras, mas dada a dificuldade em identificar a origem do problema, sugiro que a FEPAM entre em contato com a Transpetro. Ela pode ser muito útil em descobrir se o Chevette em questão está com o IPVA em dia.
Peguem este Chevette.
Por favor, perdoem!
Cidadelas privadas
Quem circula pela Estrada do Mar, entre Mariluz e Capão Novo, encontra um grande número de condomínios exclusivos, verdadeiras cidadelas privadas que florescem em luxo e conforto, contrastando a simplicidade de um litoral desprovido de outras belezas naturais. Estes luxuosos lugares são feitos para abrigar os iguais, pessoas de poder aquisitivo que nem se importam com o mar, mas agrupa-se em castas que gozam juntas seus períodos de férias.
Simples e verdadeiro.
Este estado de coisas traz outros benefícios que não podem ser desconsiderados. Na beira mar, todo o tipo de serviço é oferecido aos freqüentadores, mas sempre há um garçom profissional buscando o melhor padrão de atendimento, além do conhecimento e qualidade do que oferece. O primeiro mundo na beira da praia, irretocavelmente limpa, sempre.
O mercado imobiliário floresceu ali, e fez florescer ali alguns hábitos que o restante do litoral sequer conhece, e não conhecendo, não pode apreciar. Aliás, nem sabe apreciar. Quem já andou por lá sabe.
Mas há algo de novo no horizonte imobiliário daquela região: não há mais espaço. A solução imediata seria o aproveitamento de áreas privilegiadas nas imediações de Tramandaí e Imbé. Estas áreas ainda existem. O principal diferencial, entre lá e aqui, é a profunda diferença socioeconômica que remonta a um passado que primou por privilegiar, nos lados de cá, poderes aquisitivos menos aquinhoados.
Nossa beira mar não tem garçons ou atividades físicas e sociais patrocinadas pelo grande marketing institucional. Nossos quiosques são amontoados de madeira que pretendem apenas a garantia de alguma renda extra para pessoas que, na maioria das vezes, não está nem aí para a evolução. O mundo se resume num pastel. Nossa beira mar deixa a desejar em todos os aspectos.
Forçoso reconhecer que praia que vale a pena ainda é para os lados de lá.
Exatamente aqui nos deparamos com um problema que pode ser determinante para os grandes empreendimentos imobiliários locais: os que podem pagar por imóveis de altíssimo luxo vão investir numa região onde a displicência e falta de profissionalismo se eterniza no quebra-galho?
Esta verdade nos acompanha desde longos e distantes verões passados, e começa a cobrar o seu preço.
Se Tramandaí e Imbé não souberem aprender, e depois importar o que há de bom para ser copiado, não teremos a mínima condição de nos igualar aos bem sucedidos, continuando eternamente com visitações temporárias de excurções aventureiras que nunca deixam nada de positivo para nossas cidades. Nem dinheiro. Nem vou colocar o lixo neste inventário.
Consternado com o que escrevo agora, reconheço argumentos de razão irrefutável: talvez não tenhamos a chance de evoluir para condições de igualdade com os melhores, enquanto não houver a firme decisão de melhorar. Esta é uma decisão difícil, mas ao mesmo tempo, inadiável e urgente.
O nosso lugar de destaque, o nosso lugar ao sol, precisa valorizar a economia dos que podem pagar por isto, e exigem qualidade no que pagam. Situação séria para um dilema simples: evoluir, nadar, ou morrer na praia (ao lado de uma casca de melancia).
Os alienados
Eu estava lá. O movimento de protesto, na ponte Giuseppe Garibaldi, na manhã do último sábado, me permitiu distinguir vários tipos de comportamento entre os presentes. Alguns se mostravam realmente consternados, como se o senso de cidadania lhes pesasse demais sobre os ombros. Outros, desligados do movimento, caminhavam de um lado para o outro, procurando amigos para colocar em dia o papo que fica pendente durante semanas. Os piores, entretanto, eram aqueles que se divertiam com a situação, acreditando que tudo era um castigo para os administradores, que segundo eles, não sabem administrar estes recursos ou fazem mau uso deles.
Tinha até aquela turma do quanto pior, melhor.
Parecia que, para muitos daqueles, a vida não mudaria em nada, e que seria muito divertido ver CCs despencando pelas janelas das prefeituras locais. Naquele mar de roupas e bandeiras pretas havia um misto de alegria, descaso e tristeza. Em silêncio, observei tais comportamentos e ficou óbvio que a classe política vive, realmente, momentos do mais profundo descaso. Quando um episódio desta grandeza fere os interesses municipais, o que muitos puderam viver não passava de um sentimento de vingança por tudo aquilo que não lhes é alcançado para suas necessidades imediatas.
Se, efetivamente, for confirmada a perda total destes recursos, estas mesmas pessoas serão as primeiras a apontar as dificuldades administrativas como sinais claros de incompetência e oportunismo desonesto. Desde que o episódio não lhes doa nos bolsos, o que será perdido ainda não foi contabilizado pelos desatentos. Só vão se dar conta quando a “ficha realmente cair”.
O palco do protesto, onde tantos gritaram a injustiça que estaria sendo praticada pela Emenda Ibsen, não comoveu a todos. Esta é a verdade.
Relembrei frases, atos e posicionamentos políticos estranhos. O PMDB, através da iniciativa de Ibsen Pinheiro, era tido como o vilão da história. Outros partidos aproveitaram esta situação com denotada conotação eleitoreira. Não houve a união maciça proposta pelos idealizadores do movimento. Talvez o PMDB volte a ser herói se a Emenda Simon obtiver sucesso.
A população de Tramandaí parecia ser a menos preocupada com a situação. O episódio não passa de um conflito de colarinhos brancos. O pior é que este nível de desinformação sobre o caso é uma constante na cidade.
Talvez as coisas se resolvam numa outra instância, pois até mesmo a candidata do PT à presidência, Dilma Roussef, afirma que a Emenda Ibsen é inconstitucional. Talvez tudo não passe de um grande susto. O que não dá para esquecer é que parte da população não está nem para os problemas administrativos da região.
Por outro lado, em se confirmando esta condição de perda total dos atuais royalties, alguns só vão se dar conta quando precisarem de vantagens garantidas por esta receita. Até que isto se confirme, o movimento de revolta do litoral, para algumas cabeças doentias, não passa de uma grande festa.
Apesar daqueles que estão realmente envolvidos e dispostos a reverter tal situação, é duro ter de aceitar o fato de que alienados ainda existam em tal proporção.
Triste realidade! Talvez por isto o ditado: “Cada povo tem o governo que merece!”.
A socialização dos Royalties
Eventualmente nos deparamos com circunstâncias que exemplificam ideais socialistas. Isto não quer dizer que, necessariamente, nosso objetivo inicial fosse este.
Tomemos o exemplo em que um professor, ao tentar explicar o socialismo aos seus alunos, resolve praticar o procedimento de notas baseadas na pontuação média entre toda a classe. O projeto foi recebido com entusiasmo, mas na medida em que os maus alunos não se esforçavam pela manutenção da média geral, as notas individuais caíram e prejudicaram a todo o grupo, gerando a maior confusão na sala de aula.
O professor, que sabia onde ia dar a coisa toda, sentenciou calmamente:
- Este é o princípio do socialismo, senhores.
Pois a proposta de Ibsen Pinheiro (PMDB/RS) sobre a socialização dos Royalties do petróleo é um exemplo válido neste princípio de distribuição da riqueza. Ela é justa na teoria, uma vez que o petróleo nacional é, indubitavelmente, um bem de toda a nação, devendo ser distribuído de forma igualitária.
Na prática, entretanto, a emenda Ibsen terá que se adequar a uma realidade que talvez ele não conheça adequadamente.
Existem aqueles que lidam com o petróleo e aqueles que simplesmente o consomem. São Interesses diferentes e responsabilidades diferentes neste processo. O bem é de todos, mas os riscos permanecerão sendo apenas de alguns.
As cidades que vivem a movimentação do petróleo sempre receberam uma compensação pelo risco inerente ao processo. Os fatores que envolvem estas compensações são muitos, mas o fato principal reside nos procedimentos preventivos e paliativos em caso de algum acidente ambiental.
Com a emenda Ibsen estes critérios poderiam estar sendo desconsiderados?
A quem caberia o ônus inerente aos riscos do manuseio de um produto potencialmente
causador de calamidades ambientais que, não raras vezes, se estendem por décadas?
Com quem seria socializado o custo de um desastre de proporções?
Torna-se emergente supor que tal emenda não deva ser contemplada sem uma análise destes riscos, respeitando o critério determinado desde 1988. Devendo ser justa, é preciso que se calcule o ônus da manutenção de cidades que permanecem expostas a riscos incalculáveis.
Considere-se ainda que muitos lugares só tem esta receita como fator de desenvolvimento social.
Estas medidas compensatórias deverão ser analisadas, respaldadas e respeitadas a tempo, evitando que a socialização da riqueza nacional corra o risco de prejudicar seriamente as poucas cidades envolvidas na cadeia produtiva.
Sempre será melhor prevenir do que remediar.
A emenda Ibsen é louvável. Só não pode ser desatenta, e por conseqüência, injusta.
Uma boa “vista para o mar”, como afirmou Ibsen, nem sempre significa um privilégio invejável.
Rádio Pirata
Tramandaí viveu algum tempo sob o dilema de uma rádio pirata, que amparada numa liminar infrutífera, permaneceu no ar por um bom tempo, complicando a vida daqueles que operam legalmente o espectro de radiodifusão na cidade, principalmente em decorrência da falta de qualidade em programação e parte de seus apresentadores. Isto reforça a tese de que cultura e seriedade não se compra em supermercado.
Pois bem, julgado mérito da infrutífera liminar, a referida rádio foi obrigada por lei a encerrar suas transmissões.
Fim do problema? Não!
Passados poucos dias, a mesma rádio, na mesma freqüência, com os mesmos operadores e anunciantes, volta ao ar na maior afronta à estrutura legal do país. Coitado do santo que emprestou seu nome a ela. Não duvido que ela esteja operando no mesmo lugar de antes.
Claro que a emissora já foi novamente denunciada. Claro que daqui a algum tempo, e não se sabe quando, ela será novamente retirada do ar. Mas fica claro que a criminalidade destes teimosos não parece ter conseqüências mais sérias. E tudo ficará como dantes, no reino de Abrantes.
Não pode haver dois pesos e duas medidas para circunstâncias dessa natureza. As rádios legais reclamam nas vias oficiais e estas, a passo quase displicente, não produzem nenhuma medida exemplar que pudesse, por fim, dar um jeito nessa camarilha de espertos que sabe como, e quando, burlar a lei.
Como diz a gíria da garotada: “Não dá nada!”.
Isto é uma grande vergonha para o Ministério das Comunicações e órgãos reguladores da radiofonia nacional. Vergonha!
Uma outra rádio local, que opera em AM - Amplitude Modulada -, já declarada extinta pela presidência da República e Ministério das Comunicações, com publicação feita no Diário Oficial da União em setembro de 2009, continua operando sem qualquer problema. O fim das atividades desta emissora aguarda a passagem do documento pela Câmara Federal para, só então, ser interpelada a desligar seu transmissor. Outra novela que se arrasta a meses e promete, como de costume, patrocinar o descumprimento das leis que regem o setor.
Este é o Brasil. Viva o Brasil.
Vale então perguntar: Quem quer ser respeitado não deveria se dar ao respeito?
Valsa brega
A atividade política no país promete estar em alta a partir de abril, quando os efetivos candidatos à presidência da República estiverem, por fim, oficializados. Na prática, a polarização da eleição presidencial se restringe a José Serra (PSDB) e Dilma Roussef (PT). O que ainda não esta sentenciado nas entrelinhas são os partidos que apoiarão este ou aquele candidato.
Determinados coadjuvantes, como o PMDB, se contorcem entre decisão nacional e estadual.
Quantas velas para quantos santos? Valorizar o passe não é mais prerrogativa de jogadores de futebol.
Os palanques de campanha podem nos trazer cenas inusitadas, onde ideologias muito diferentes, e até mesmo antagônicas, pode estar aparentemente de mãos dadas para facilitar os ditos caminhos da governabilidade. Coisa de fazer o coelhinho da páscoa chorar de rir.
Lamentável que tais agremiações não tenham construído a imagem de seus possíveis candidatos próprios. Assim, por motivos bastante óbvios, esta eleição acabará sendo um embate direto entre PSDB e PT.
O resto são apenas arranjos de cenário. Aliás, em se tratando de campanha, parece que a Justiça Eleitoral ainda não se antenou aos movimentos antecipados que circulam com total displicência na grande mídia nacional.
Todos sabemos que José Serra é o nome tucano para a corrida eleitoral, mas é incompreensível a demora do partido em sacramentar o que todos esperam. Enquanto isto, Lula vai empurrando suas preferências em discursos e recados que pavimentam boa caminhada nas pesquisas eleitorais, onde Dilma já empata com Serra.
Quanto aos demais partidos desta ciranda, dá até para fazer a comparação com os antigos aniversários de quinze anos, onde uma turma de coadjuvantes fazia o chamado “bolo vivo” enquanto a valsa iluminava o sorriso da nervosa debutante. Isto saiu de moda, mas o que se vê nos dias atuais é a valsa de Serra e Dilma, enquanto que a turma da oportunidade balança na volta desta dança desalinhada. Breguice tem hora.
Fica difícil a convicção de um voto coerente com nossas aspirações pessoais. Esta dança, além de antiga, vai ser muito chata.
O rádio e a TV na internet
As estatísticas mostram que os veículos com maior respeitabilidade são o rádio e a internet, seguidos de perto pela TV, jornais e revistas. Ninguém tem nota menor do que sete, mesmo que ninguém tenha ultrapassado a nota nove.
Mas o que tem chamado a atenção é a invasão das rádios no universo da grande rede, o que facilita um alcance realmente ilimitado a todos os quadrantes do planeta. Isto, literalmente, não tem preço.
Algumas redes de TV já estão embarcando neste trem. Claro que estas possibilidades aumentam em função de boas bandas de navegação, coisa que também está se popularizando aqui no Brasil, que lamentavelmente ainda ocupa a 80ª posição no ranking mundial no aspecto velocidade de navegação.
Imagine o que pode ser feito com a melhoria desta estrutura.
Outra possibilidade muito interessante e crescente são as rádios e TVs criadas dentro do ambiente da internet, operando no ilimitado universo mundial com custos operacionais que podem ser considerados irrisórios. Mas o que propiciou esta mudança irreversível?
Claro que boa parte desta possibilidade foi determinada por uma ferramenta universal, o computador, que dispondo de todos os recursos de mídia, simplesmente foi arrestado pelos nossos interesses e curiosidades. Áudio e vídeo estão ali, na nossa frente, esperando alguns cliques que nos permitam viajar a qualquer lugar, a qualquer hora, com qualquer idioma ou nacionalidade. Vai do interesse de cada um.
Não faz mais sentido estar ao lado do computador e manter uma tv ou um rádio ligado ao nosso lado.
Eles podem estar dentro do PC, o que torna tudo mais fácil e atraente, mesmo num local de trabalho. Esta tem sido a grande galinha dos ovos de ouro. Para incrementar mais a coisa, a banda 3G permite receber sinais de tv e rádio num celular. A tecnologia está disponível. O único embargo para a explosão definitiva destes meios de comunicação é o alto custo da comunicação pelo celular. Mesmo assim, o volume de usuários cresce satisfatoriamente, fazendo com que os fabricantes se esmerem em bugigangas cada vez mais capazes de atender nossas mais piradas vontades.
O mundo muda numa velocidade estonteante. Quase não podemos acompanhar os modismos semestrais que literalmente renovam a tecnologia. Haja fôlego e dinheiro para isto tudo. Mas este não é o foco da nossa questão.
A grande vitória de todos nós, internautas, é a possibilidade de sintonizar canais de rádio e tv na nossa telinha. Com boas caixas de som no PC ou notebook a coisa vira febre mesmo. Bom, com tudo isto, se não gostarmos do que está sendo oferecido, ainda poderemos criar nosso próprio veículo e oferecê-lo ao mundo.
Claro que qualidade conta. Mas aí já é uma outra história.
E não se surpreenda se nos próximos dias esta tecnologia nos permitir ter tudo isto em 3 dimensões, ali, bem na frente dos nossos olhos.
Quem imaginaria esta revolução há 20 anos atrás? Nem o Bill Gates.
Caro Presidente Lula,
Louvável sua atitude em distribuir 260 mil toneladas de alimentos aos necessitados de vários países em dificuldades. Este generoso número, se dividido entre os 12 países sugeridos, vai render, em média, 21.666 toneladas de alimentos aos necessitados. Um gesto nobre de sua parte.
Entretanto, Sr. Presidente, estranhei, ao não constatar o povo brasileiro nesta lista emergencial. Sei que a condição de estadista pode apresentar alternativas estranhas aos seus eleitores, mas como diz o velho adágio, “a nobreza obriga!”.
Se me permitir tamanha ousadia, gostaria de relatar ao Sr. a realidade de algumas cidades brasileiras, incluindo a minha, onde não são raras as pessoas famintas revirando latas de lixo em busca de algum resto aproveitável, mesmo que já mastigado. Nem sempre encontram.
Assim, presidente, apenas relembrando sua promessa de tirar o brasileiro da merda (usando suas palavras), peço que, se possível, inclua neste gesto de grandeza o seu próprio povo, que precisa de alimento desde ontem, anteontem e sempre.
Sei que, por origem pobre, o Sr. tem plenas condições de entender tal demanda. Esforços do mundo inteiro estão sendo mobilizados para atender os vitimados pelo terremoto do Haiti. Sei também que a discussão da pobreza no mundo rico é apenas argumento para um coquetel a mais. Não acredito que o Sr. faça parte deste grupo. O Sr. é, acima de tudo, brasileiro.
Consolidar sua popularidade é uma meta desnecessária, pois o índice medido ultimamente já lhe garante uma aposentadoria tranqüila e orgulhosa. Claro que o Sr. fez por merecer. Mas precisamos ainda mais. Precisamos de uma consciência pública que priorize a merda de alguns brasileiros (usando suas palavras).
Faça um pequeno cálculo, Sr. presidente: divida estas 260 mil toneladas de alimentos entre as unidades da federação. Poderíamos mitigar a fome de muitos com as 9.629 toneladas de comida disponíveis para cada unidade federativa.
Sei que suas obrigações no cenário internacional exigem uma postura a altura do cargo que lhe foi confiado. Não creio, entretanto, que estas almas famintas que reviram latas de lixo possam ter uma sensação de conforto ao saber desta iniciativa. Tomara que nem fiquem sabendo disso.
Perdoe, presidente, a ousadia de lhe dirigir um conselho. Mas, brasileiro como o Sr., tenho a sensação de algumas prioridades que nem sempre estão focalizadas no cenário internacional. Claro que estamos inseridos no contexto das nações e temos um compromisso com a harmonia e igualdade que, sem dúvidas, tornaria o mundo moderno menos beligerante. Mantenho meu orgulho brasileiro e tenho plena certeza de que esta ação, proposta pela sua iniciativa, será muito bem recebida pelas nações estrangeiras. Mas estas, apesar das suas imensas dificuldades, não podem ter prioridade sobre nossas demandas internas.
Não, Sr. presidente, não cancele esta iniciativa. Apenas procure viabilizar outras 260 mil toneladas para distribuir entre sua gente, que penhorada, vai agradecer e lhe passar a sensação do dever cumprido.
Bom trabalho, presidente.
Ontem, hoje e amanhã...
Cansei do ranço nesta política de anjos e demônios escondidos pelo Brasil de hoje.
Na grande mídia circulam artigos que cutucam os militares de “ontem” (64-85) acusando-os de terem rasgado e ferido leis em prol do autoritarismo. Equívocos históricos parecem estar em jogo neste julgamento infindo.
Muitos não admitem seus erros nem seus maus companheiros, aqueles que, em meias e cuecas, procuram a riqueza custeada por tudo o que não foram capazes de realizar.
Isto não havia no “ontem”.
Houve autoritarismo sim. Mas não acredito que a austeridade procurasse aniquilar uma nação inteira.
O mundo era diferente, muito diferente para os não nascidos naquela época.
Por outro lado, parece que segmentos da esquerda não se acordaram ao fato de que o muro da vergonha já não existe. Stalin perdeu o status. A poderosa mãe Rússia ruiu.
A política do dinheiro fácil, às custas dos cofres públicos, tem permitido que pessoas de duvidosa capacidade intelectual possam agregar conteúdo e boas realizações à nossa democracia. O período eleitoral de 2010 nos trará, também, um desfile de arrogantes anistiados que ocuparão espaços nobres da paciência televisiva brasileira. Este ranço, além de enfadonho e absurdamente repetitivo, não esclarece a opinião pública.
O “ontem” e o hoje permanecerão em choque?
Teremos que, em nome da plena democracia, reviver ódios do passado?
Foi ontem!
Nesta luta relembrarão os fantasmas do autoritarismo, mas não desnudarão, em contrapartida, a verdadeira imagem de tantos que desfilam impunemente como figuras que levam consigo os fantasmas de um outro tipo de autoritarismo que, por questão de ocasião e competência, não acabou imposto à nação brasileira.
A ditadura existiu. A guerrilha não? Criminosos oportunistas não?
Hoje todos sentam à mesa da democracia. Alguns buscam reviver e lamentar o “ontem” . Valorizam-se figuras pitorescas, que aqui mesmo na América Latina, fecham rádios e TVs em nome da governabilidade, perseguem e silenciam jornalistas. Isto está acontecendo no "hoje".
Qual a tênue linha que separa estes interesses?
Mentiras deslavadas?
Intenções dissimuladas?
Armas engatilhadas?
As vítimas da ditadura, como gostam de se definir, esquecem os movimentos dos quais participaram na década de 60. O passado deles é intocável, secreto. Foi "ontem". Nomes diferentes, alcunhas e apelidos ficaram no ontem. Vivem, no hoje, a plenitude da cidadania que, em algum momento não tiveram dúvidas em repudiar.
Não se trata de uma luta do bem contra o mal. Não é este o foco das atenções.
Minha indignação reside na postura angelical de algumas pessoas que não se limitaram a discordar de um momento histórico vivido pelo Brasil. Tenho consciência de que muitos dos que não concordavam com a política da época partiram em busca de outros horizontes. Alguns sofreram a saudade. Outros aproveitaram para fazer cursos de guerrilha.
Mas a verdade é que, quando enfim puderam voltar, muitos não conseguiram recuperar a capacidade de reconstruir, avançar em busca de um futuro realmente novo. Os mais recalcitrantes ainda vão tentar um jeito de fazer renascer um período que se extinguiu ao final da guerra fria, "ontem".
Ao propalar as intenções do julgamento imparcial do "ontem", que se traga à tona toda a gama de envolvidos naquele período. Absolutamente todos.
Triste, mas o ódio incontido ao passado ainda está vivo. Perigosamente vivo num ranço canhoto, avesso ao futuro, que pode estar apenas buscando a sua revanche contra o “ontem”. Talvez não se tenham dado conta que também existe o "amanhã".
EXPEDIANTE BAIANO
A decisão está tomada. Aliás, uma decisão que não contribui para a empatia do eleitor junto ao Legislativo local. A Câmara municipal informou seu novo horário de funcionamento: das 12h30min às 18h30min.
Resumidamente, os vereadores locais não terão compromissos com a Câmara de Vereadores durante a parte da manhã, no mínimo até agosto de 2010. Esta coisa cheira a campanha eleitoral, pois alguns já afirmam que esta folga matinal servirá para que nossos edís possam bater pernas em busca de votos aos candidatos estaduais para outubro próximo.
Se esta não era a idéia original do presidente Luiz Motti (PMDB) a coisa não ficou bem explicada.
Verdade seja dita, foi uma decisão da mesa diretora, e não cabe aos demais vereadores a contestação à palavra do presidente.
Por essas e por outras que a classe política não consegue deixar de ser achincalhada pela comunidade. Todos os demais trabalhadores madrugam em busca do pão de cada dia. Com os vereadores a coisa é um pouco diferente.
Enfim, foi aprovado e está vigorando. Adicione a isto o recesso de fevereiro e a vida dos nossos eleitos fica parecendo um paraíso com dia certo para receber o santo e suado salário. Está definido. Fim de papo.
Pelo menos eles terão mais tempo para se queixar que o “povo” não entende o quanto trabalham pelo município. Portanto, se precisar de alguma informação junto ao Legislativo local (Tramandaí), ligue apenas na parte da tarde.
Este espaço está aberto para quem consiga explicar esta decisão. Por favor: remetam estas explicações apenas na parte da tarde.
Já estão chamando a coisa toda de “expediente baiano”.
A festa das mordaças...
Na ânsia de solidificar suas verdades, alguns poderosos usam quaisquer artifícios para calar outras verdades que possam por em dúvida a eficácia de suas afirmações. A via judicial é a primeira delas. No universo dos contos de fada, aqueles que ousam desafiar as verdades do rei são punidos, invariavelmente.
Tempos atrás citei este perigo iminente que circundava o direito de opinião aqui mesmo, no nosso querido império tupiniquim. A censura assumia sua forma mais grotesca, ao buscar a obrigatoriedade do silêncio, sempre que o assunto fosse a nossa fausta corte real.
Temos opiniões e informações censuradas em território brasileiro, apenas porque estas discordam da propaganda insinuosa de que o paraíso é aqui, e só os tolos não querem ver. Está acontecendo de novo, assim como em outras plagas hispano-americanas, como Argentina, Bolívia, Venezuela, Honduras, Equador e, é claro, Brasil.
O poder instituído não pode ser confrontado. Esta é a verdade do rei. Os dissidentes serão previamente execrados, ridicularizados, cooptados e por fim, silenciados.
Enquanto isto, súditos festivos, alimentados freneticamente por benesses coloridas, assim como Portugal fez com os índios do descobrimento, vivem a alegoria da fantasia da soberana conquista da felicidade. Enquanto a floresta explode numa alegoria de promessas paradisíacas, existem bocas amordaçadas pela força do direito. Constitucionalmente, todos têm o direito inarredável de ir e vir. Quanto a expressar sua opinião, a coisa toma outras formas e outros rumos. Liberdade parece ser apenas um estado de espírito, e não uma realidade tão inalienável quanto o direito de ir e vir.
Os fantasmas do passado começam a se remexer em tumbas sombrias. A verdade poderá acabar aprisionada em masmorras pútridas do castelo da tirania.
Quando a fantasia supera a realidade, o destino dos homens passa a ser meramente fictício. Corremos o grave risco da surdez coletiva. O medo começa a se propagar nos meios de comunicação. Vozes que se calam podem ter verdades preciosas a serem ensinadas, mas a mesquinhez daqueles que se julgam acima do direito e da justiça pode estar criando novos monstros que um dia todos teremos que enfrentar.
Por enquanto o rei vence. Que lambuze-se de glória.
Isto me faz recordar de um velho dito popular:
- Podes enganar a poucos por muito tempo. Podes enganar a muitos por algum tempo, mas não poderás enganar a todos durante todo o tempo. Os reis têm dificuldades para entender isto.
O peido do boi!
Uma pesquisa nacional (publicada no G1) revela que o arroto do rebanho bovino representa 69% da emissão de gases altamente poluentes emitidos em todo o Cerrado brasileiro. Em respeito aos cientistas que estudaram o caso, não vou dizer que a coisa toda seja uma grande piada. Mas que parece, parece.
Segundo os pesquisadores, a dieta do rebanho do Cerrado nacional é rica em pastagens que têm a propriedade, ao fermentar, permitir maior liberação de metano. Sabe-se que o metano é altamente poluente, e a boiada toda responde pela metade dos gases estufa produzidos no Brasil.
Desta forma, mesmo que ainda desconfiado, dá para dizer que o arroto do boi é uma encrenca danada. Pobre boi. Os cientistas sugerem uma dieta mais balanceada para o rebanho nacional, mas em curtíssimo prazo me parece que a saída é Luftal (perdoem a propaganda).
Se este assunto chegou a Copenhague ainda vamos pagar o mico do boi mal-educado.
Esse Brasil é mesmo impagável.
Mas vai que daí fiquei a pensar na possibilidade, e desculpem a palavra, do peido do boi. Isto sim é para arrebentar qualquer conferência sobre aquecimento ambiental. Ou seja, unindo-se o arroto e o peido do boi, não há saída para a situação emergencial do nosso meio ambiente. Fim do planeta terra, sentenciado por peidos e arrotos da boiada sacana.
Claro que fiquei curioso para saber se apenas os nossos bois são os porcalhões do planeta. Só falta virem com esta. Os bois civilizados não arrotam e não peidam descaradamente.
Como não sou pecuarista, sugiro que os criadores passem a utilizar o ticket refeição para que a boiada possa se refestelar em restaurantes com dieta mais equilibrada. É meio caro, mas a sobrevida do planeta deve ser mais importante.
Se o gaudério ouve esta estamos ferrados de vez.
Por via das dúvidas, aquelas vaquinhas suíças que fazem um queijinho esperto, será que, por serem européias e cultas, estão livres destas emissões gasosas? Francamente.
Dou a mão à palmatória dos cientistas, até porque não devem ser malucos a ponto de divulgarem uma informação desta natureza, sem saber, diantemão, que pagariam o maior mico junto da galera. Esta mesma pesquisa foi feita na Austrália e a gozação foi geral.
O triste dessa realidade é que, entre vulcões, diesel, automóveis, caminhões, aviões, navios, motocicletas e outras porcarias motorizadas, o grosso da poluição ambiental vem de singelos ruminantes, cujos poucos prazeres da vida, antes da execução, são alguns arrotinhos e uns poucos peidos inocentes.
Me disseram que os leitões estão morrendo rir e as galinhas estão tirando o maior sarro da boiada.
Falta agora bolar uma campanha publicitária para evitar o peido da bixarada.
Te vira Olivetto!
O Fiasco de Copenhague
O encontro de Copenhague vai terminar como todos os outros, apesar da euforia inicial de países como o Brasil. Kyoto foi um fiasco inesquecível, e a mesma filosofia vai prevalecer em 2009.
A idéia dos poderosos e inteligentes é que os países em desenvolvimento possam, como já é de costume, se desenvolver um pouco menos, ou pelo menos, muito mais devagar, diminuindo suas emanações de CO2.
Para as supernações, altamente desenvolvidas, não é tão fácil frear os hábitos e as extravagâncias que acabariam retardando o status já instituído. Na real, algo do tipo “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Aliás, "o que faço vou continuar fazendo".
Enquanto nós fazemos eletricidade com água, eles queimam carvão para obter o ar condicionado ligado. O pior é que nestes momentos fica muito claro que eles não estão nem se lixando para o Meio Ambiente.
No bolso deles é que ninguém vai mexer. Muito menos no conforto.
Muito mais fácil responsabilizar os outros pelas suas incomensuráveis trapalhadas. Não é por acaso que a Amazônia virou pulmão do mundo. Ela sempre foi, mas enquanto os discursos preocupados insinuam uma mudança geral de conduta da humanidade, as regras mais pesadas devem valer apenas para aqueles que pouco colaboram para o caos que já se estabeleceu há muito tempo.
Como a Amazônia está em terras tupiniquins, estes sábios debatedores estão prontinhos para jogar a conta da encrenca sobre nossos ombros. A mesma técnica do boi de piranha. Será que você acredita que os poderosos e poluidores confortos do “american way of life” estão mesmo preocupados com Botsuana Burundi, Haiti, Nigéria e Burquina Faço?
Está na hora de acordar.
A hipocrisia da falácia se torna enauseante, para não dizer moribunda. A burrice dos ricos, governados apenas por interesses, vai arrastar a todos neste emaranhado de insinuações e poucas ações práticas. Alguns, mais ofendidos, ou menos trouxas, afastam-se da reunião. A mídia cai de pau, os cientistas enlouquecem, e o mundo vai lentamente caminhando para o caos. Nem o Green Peace pode dar jeito nesta baderna.
Distante da posição de ser simplista, sem ser otimista demais ou precavido de menos, afirmo, desde já, que Copenhague será um outro grande fiasco da iniciativa governamental do mundo moderno. O ciclo das chuvas, o desaparecimento vertiginoso das maiores geleiras do planeta vai fazer vítimas incontáveis. Fauna e flora destruídas e os poderosos, entupidos de dinheiro e poder, discutem o óbvio só para morrer afogados como todos os demais.
Tentem me convencer que inteligência se compra pela internet. Tentem!
Até parece, ainda que supersecretamente, que os ricos já disponham de alguma grande nave estelar capaz de tirá-los daqui na hora “H”. Garanto que vão levar o coelhinho da páscoa com eles. Podem inventar quantas reuniões ambientais quiserem.
A coisa só vai se tornar séria quando Nova Yorque começar a ficar como São Paulo, com os bem trajados operadores da Wall Street andando em plena Manhattan com água pelo peito. E mesmo nessa hora os cara-de-pau vão dizer que fomos nós, os quase desenvolvidos, que os metemos nesta baita encrenca.
Como diria o gaudério: “Vão se catá!”.
FELIZ NATAL, JOHN!
Naquela manhã eu pintava uma cerca.
Uma manhã bonita, ensolarada, como que a prenunciar um verão cheio de atividades e muito romance.
As rádios bombavam os sucessos da hora e, repentinamente, um corte abrupto na programação para informar que John Lennon estava morto. Mas que idiotice, um membro dos Beatles jamais morreria. Eles não eram mortais normais. O locutor estava completamente enganado. Era um trote. Tinha de ser um trote.
Não era.
Lentamente a notícia se espalhou pelas rádios e, uma a uma, começaram a contar a tragédia de um homem de personalidade complicada, nem sempre tido como bom rapaz, mas que, há anos, vinha mudando nosso jeito de viver. Depois dos Beatles o mundo não era o mesmo, nem para nossos pais.
De comportados a rebeldes, do terno e gravata ao psicodelismo dos cabelos emaranhados, eles haviam quebrado todas as regras. Claro, já fazia um tempo que sabíamos que a banda havia terminado, mas sempre restava a esperança de que ainda pusessem as cabeças em seus lugares e voltassem ao “Ticket to ride”.
Agora, até entender que Lennon não voltaria mais, ficava uma sensação de vazio, de impotência, de amargura.
Os Beatles eram nossos, não poderiam simplesmente morrer e fim. Na verdade, naqueles anos mágicos, ninguém aceitava pacificamente a idéia de que o sonho havia terminado. Tá certo, a gente não ia com a cara da Yoko, até porque julgávamos a ela com o pivô da separação dos meninos de Liverpool. Até agora ainda acho que a japinha promoveu a separação dos rapazes. Paul nunca escondeu isto.
O dia se tornou muito triste, mas terminei de pintar a cerca. Lá se vão quase trinta anos.
O álbum Doble Fantasy entupia o dial das FMs. Parecia um lamento. Algo ainda me diz que Lennon parecia ter prenunciado o seu fim.
O álbum rodou exaustivamente, mas nunca foi o sucesso que esperávamos. Acreditem, existe um certo ódio contra aquele disco fatídico. Ele havia passado cinco anos sem gravar. Homenageou o filho pequeno (Sean), fez uma nova declaração de amor a Yoko e simplesmente foi embora entupido de balas.
Confesso que nunca mais ouvi o disco de início ao fim. Nos natais ainda rodam uma de suas músicas. Simone gravou uma versão (Então é Natal), e ela roda até hoje nos meses de dezembro. Quem viveu aqueles dias ouve a música e fica triste, muito triste.
Não interessa mais saber onde anda o tal de Chapmann, um débil que tomou seu último autógrafo. Que o inferno se encarregue dele com dedicação. O chato desta história toda é que saudade dói. Dói mesmo. Uma dor parceira, como um calo, que fica ali, ao longo dos anos, apenas dizendo que está e estará sempre conosco. Dor com saudade: coisa muito estranha.
Era a manhã de oito de dezembro de 1980. Agora sim, o sonho havia terminado.
Mas, para contrariar as regras da vida, ainda tenho a sensação de que ele e George andam ensaiando boas apresentações lá naquele lugar distante que só o coração é capaz de localizar.
Resta uma ponta de tristeza sim, mas como o próprio John disse... “And so this is Christmas...” (então é Natal...)
Feliz Natal, John!
O temporal e as obras públicas
O saldo do temporal que se abateu sobre Tramandaí, em 19 de novembro, deixou um saldo de destruição que evidencia um grave problema com a construção de prédios públicos que, segundo o prefeito municipal, Anderson Hoffmeister, foram os mais atingidos na ocasião.
Afinal, qual a razão dos maiores prejuízos em prédios públicos?
Um mero acaso do caos instituído pela ventania?
Respostas difíceis que podem evidenciar um problema antigo no Brasil tupiniquim.
Sabemos que obras super faturadas não são novidade e que, não raras vezes, elas apresentam problemas ainda na construção. Basta lembrar as vigas de um viaduto em construção em São Paulo, que simplesmente desabaram sobre o leito da avenida atingindo três carros e, apenas por sorte, não mataram ninguém.
Se esta verdade põe em cheque a qualidade destas construções, não seria de se estranhar que o saldo dos prejuízos tivesse uma razão lógica. Convenhamos, o fato não é novo
Não estou afirmando que tais construções não tenham a qualidade orçada e apresentada em projetos oficiais. Mas o resultado do temporal dá o que pensar. Segundo dados oficiais, mais de 8 mil casas foram prejudicadas com a ventania, e assim, os prédios públicos atingidos apenas fazem parte da estatística. Entretanto, a maioria das casas comprometidas não apresentava padrões de qualidade construtiva capaz de enfrentar a violência da tormenta. Isto também é uma realidade diretamente proporcional ao poder aquisitivo da maioria da população. Entretanto, apesar do imponderável, era de se esperar que as obras governamentais pudessem oferecer padrões acima da média.
O que vimos, apesar de tudo, foi um emaranhado de componentes de qualidade não muito diferente daqueles empregados na construção privada, onde os orçamentos escassos sempre fazem a diferença. Claro, o imponderável aconteceu, mas a escala de destruição do patrimônio público é de um percentual assustador, principalmente quando o preço destas obras nos deixa prever qualidade de matéria-prima capaz de resistir uma boa carga de agressão. Não foi isso o que se viu.
Fica então a pergunta: será que, além de orçamentos gordos, tais obras simplesmente se equivalem aos da iniciativa privada daqueles que não dispõem de tantos recursos para a finalização de uma obra confiável?
Vamos ter que responder a estas perguntas. Teremos que conviver com o inusitado das forças da natureza, mas seria muito melhor que tivessemos confiança nos locais onde ( e como) foi empregado o dinheiro público. Os esqueletos depredados de algumas destas obras mostra outra coisa, enquanto que o Estado demonstra ter outras prioridades para seus orçamentos.
Prevenir sempre é melhor do que remediar, e para tudo aquilo que não tem remédio, remediado está.
2012, o fim do mundo!
Muito se tem falado no final do mundo em 2012. Paúra coletiva que começa a enlouquecer aqueles que já não conseguem discernir algo entre luz e escuridão. Emissoras de TV estão maravilhadas com esta possibilidade, e Hollywood também não deixa por menos. O negócio é faturar.
O povo adora tragédia, e este é um prato cheio para fatalistas e Nicolas Cage.
Religiosos alarmados dizem que ainda é tempo para a remissão dos pecados da humanidade, mas os americanos e chineses não querem diminuir a queima de carvão. A atmosfera que se exploda, e a reunião de Copenhague também. Tenhamos a certeza de que os Deuses não vão segurar esta bronca.
O fim do planeta está apenas em nossas próprias mãos.
Claro, existem outras possibilidades que vêm do espaço. Neste emaranhado de corpos universais uma colisão seria absurdamente comum, além é claro, de nem se imaginar que seria inédita, e sem seguro. Mas esta possibilidade é bem mais remota do que a bagunça que nós mesmos estamos patrocinando ao planeta Terra.
Entretanto, só para abordar um tema que não é discutido nestes momentos, cito o fato do tão badalado calendário maia, que se encerra misteriosamente em 2012. Ninguém parece lembrar que talvez a interrupção do calendário deles tenha sido causada pela destruição do império pelos espanhóis de Cortes. Para quem não sabe, os espanhóis chegaram aos Andes e levaram tudo de roldão, assim como fazem os bancos nos dias modernos. Usurparam tudo e foram ao mundo. Incas e Maias não existem mais, e por conseqüência o calendário deles também foi pro balaio do saque. Ficou perdido no tempo.
Agora aparecem videntes que falam com alienígenas que se dão ao trabalho de eleger donas de casa como seus porta-vozes, desprezando celebridades como Lula, Obama, Ahmadinejad e Cesare Batisti. Alienígenas alienados da informação.
Estes caras de pele verde não se antenaram que existem pessoas mais adequadas paraa vender esta informação fatídica. Imaginem uma destas figuras nos passando o relato dos últimos dias do planeta. Sucesso instantâneo na web. Claro que o Twitter, Facebook, Orkut e outras badalações poderiam ser utilizadas também.
Enquanto isto, crianças continuariam destruindo escolas e o holocausto judeu jamais teria acontecido. Psicólogos de plantão atenuariam a situação, em razão do estresse coletivo pelos apagões e metrôs entupidos de trabalhadores sonolentos.
Ainda acho que toda esta badalação com o fim do mundo em 2012 serve apenas para jogar um balde de água fria nas pretensões dos aposentados, que só agora começam a se dar conta de que o mundo, para eles, está acabando mesmo. Se é que já não acabou.
Esta realidade, que já sepultou os gremistas, contraria as expectativas dos colorados, pois afinal de contas o Inter está quase lá. Pensando bem, 2012 ainda está longe. Vale a torcida, e vale ser campeão.
Claro, nossa vida deve continuar dentro da normalidade. Aproveite as promoções das operadoras de telefonia celular e tire um tempo para atualizar seu título de eleitor. Parece que a renovação do documento é obrigatória, e para isto, todos os eleitores deverão assistir ao filme Lula, o filho do Brasil. Não, não vou falar de propaganda eleitoral. Por essas e por outras é que os pessimistas afirmam que o planetinha está no fim.
Quanta injustiça ao Hitler, que nunca passou de escoteiro leal e fiel. Ahmadinejad sabe das coisas. Para ele, Auschwits sempre foi uma pizzaria com forno a lenha. Para encerrar, se alguém encontrar o calendário inca, favor devolver na redação do jornal.
Depois do Muro
Depois de 20 anos da queda do grande muro que dividia a Alemanha do pós-guerra, algumas feridas não cicatrizadas começam a ganhar destaque na mídia internacional. Ainda que o país tenha sido unificado, os longos anos de separação acabaram criando uma grande população que sempre viveu com recursos contados.
Alguns afirmam que não passavam fome, mas jamais tinham o direito e oportunidades de algumas extravagâncias. Só para exemplo, frutas eram raras e bananas representavam um luxo raro e inatingível para quase todos aqueles que haviam ficado do lado comunista. O Estado tutor ficava com o dinheiro e distribuía apenas o que julgava conveniente.
Depois da euforia nacional com a queda do muro, uma lenta e cruel separação ainda existe entre os alemães: as grandes diferenças econômicas, tecnológicas e financeiras persistiram e, ainda hoje, causam mal-estar entre os berlinenses. Reconstruir o lado comunista parecia fácil. Revitalizar praças e prédios públicos parecia uma necessidade emergente para apagar o cinza do autoritarismo que manchava as paredes.
O custo desta empreitada ainda não pode ser totalmente absorvido. Falam em trilhões de Euros.
Atrás de todas estas circunstâncias uma grande mágoa. Mágoa daqueles que viram a vida passar sem progresso, sem oportunidades, sendo vigiados constantemente. Este sentimento é a herança maldita da guerra fria.
Assim, ainda que veladamente, existem grandes diferenças a serem suprimidas no convívio dos alemães. Ainda levará muito tempo, décadas talvez, para que tudo possa ser realmente adequado e esquecido.
O terceiro Reich de Hitler serviu apenas para, em doze anos, submeter os germânicos a todo o tipo de provações. Aquilo que ele mais detestava, a onda comunista surgida em 1917 com a revolução Bolchvique, acabou sentenciando os alemães que ainda sobrevivem no início deste novo milênio. Eles precisam conviver com coisas visíveis e outras tantas que nunca serão ditas. Para o restante do mundo, a queda do muro representava a vitória do capitalismo e daqueles que não acreditavam no poder absolutista do Estado.
Triste saber que, em pleno século XXI, as marcas do autoritarismo ainda faz vítimas perenes. O nazismo sucumbiu à sua própria histeria. Os comunistas vingaram os anos de perseguição e extermínio das SS, mas quem acabou perdendo foram os civis que, desamparados, se viram divididos pela partilha cruel de uma guerra que não poderia ter vencido a lógica dos anos 30.
Festejemos a queda do muro, mas estejamos atentos ao saldo destas iniciativas ditatoriais que não medem consequências na sanha de conquistas e prestígio. Sementes do neo-nazismo estão espalhadas pelo mundo. O ódio racista ainda tem suas incubadoras macabras, e, para piorar as coisas, alguns líderes da esquerda recalcitrante ainda acreditam poder mudar a face do mundo com um socialismo que não deu certo nem para aqueles que o inventaram.
Aqui mesmo em terras da América Latina esta perigosa onda de autoritarismo parece estar encontrando eco entre algumas lideranças que ameaçam, constantemente, uma grande reviravolta nos moldes governamentais do mundo moderno.
Os alemães conheceram bem a falácia das ameaças.
Com ou sem guerras a curto prazo, se estas populações se deixarem levar por inflamados discursos nacionalistas, ainda corremos o risco de rever os velhos fatos que a história não consegue sepultar. Depois das comemorações deste 9 de novembro, um grande e invisível muro de diferenças ainda vai continuar existindo entre as populações do planeta. Loucos ainda sonham com poder e glória por mil anos.
E o silêncio dos inocentes continuará pagando esta conta.
Os fantasmas e o futuro
Existem momentos em que todos nós precisamos de ajuda.
Eu, tendo algumas dúvidas, gostaria de me valer da ajuda dos meus leitores, e eventualmente de pessoas que saibam bem mais do que eu a respeito desta dúvida:
Encontrei na internet uma informação que me deixou simplesmente desconcertado. Uma ficha, com direito a foto, trazendo os dados pessoais de um(a) eventual candidato(a) à presidência da República. Esta ficha, para assombro meu, relatava algumas características atividades desta pessoa ao tempo em que não freqüentava os mais altos escalões da política nacional.
Seu currículo incluía, além das alcunhas usadas na clandestinidade, a definição de terrorista, com participação em assalto a vários bancos, trama e planejamento para assassinatos, invasão e roubo em unidades militares de onde foram levadas armas e munições. Pelo documento esta pessoa teria sido capturada.
Pois bem, imaginando que seja verdadeira a proposição desta pessoa em concorrer ao mais alto cargo do Executivo brasileiro, seria imprescindível a todos nós que tais afirmações fossem esclarecidas pelo próprio interessado.
Mesmo assim, em confirmado-se tais informações, como superar os critérios morais, pessoais e familiares para conceder a esta pessoa um voto que seja capaz de levá-la ao mais alto posto nacional. A representatividade do cargo vai cobrar um alto preço no cenário internacional.
Sempre acreditei que a marginalidade fosse premissa dos menos aquinhoados de sorte, estudo e cérebro.
Tendo idade suficiente para ter vivido o período da ditadura militar no Brasil, encontrei pessoas que reclamaram, que partiram, que compuseram músicas e se tornaram famosos. Conheci intelectuais calados, conheci pessoas tristes, e também conheci pessoas que atravessaram este período sem grandes altercações no cenário político imposto pelos militares. Conheci pessoas que foram vigiadas em decorrência de seu ativismo mais ousado. Conheci pessoas que voltaram do exílio. Sei de pessoas que simplesmente desapareceram.
A ditadura passou, veio a liberdade, e com ela os fantasmas do passado. Um grande erro que mutilou uma geração inteira.
Essa imagem, entretanto, chocou-me profundamente, pois não havia conhecido uma pessoa de tanto destaque que houvesse se envolvido em operações e circunstâncias desta natureza.
Hoje, depois de ter votado em todas as eleições possíveis e realizadas, vejo o noticiário nacional trazendo informações sobre a caçada aos líderes de gangues, facções, organizações criminosas que precisam ser estirpadas do nosso convívio. Nesta matemática do diabo, resta uma figura que, a presumir verdadeiras estas informações, retorna à vida pública com pompa e glória, sendo apontada como uma das legítimas dignatárias ao mais alto posto da nação brasileira.
Não posso crer no que vi e li.
Para ter certeza de que não serei injusto em meu julgamento, peço a ajuda daqueles que sabem mais do que eu e possam me convencer que tudo não passa de uma escabrosa armação.
Eu quero provas de que tudo aquilo não é verdade. Me ajudem.
Se tais afirmações se confirmarem, não sei mais o que fazer para educar meus filhos. Se tal pessoa chegar ao Planalto com esta ficha e este passado, tudo aquilo em que acredito terá sido jogado por terra.
Humildemente peço, me provem que tudo aquilo que está na ficha deste candidato(a) é mentira.
Provem!
fonte de pesquisa: http://images.google.com.br/images?hl=pt-BR&q=Dilma%20Roussef&rlz=&um=1&ie=UTF-8&sa=N&tab=wi
Sucessão e rejeição
Recebi um e-mail com uma clara conotação política. Não foi o primeiro e não será o último.
Na internet, uma campanha mostra grande rejeição à candidata preferida para a sucessão do presidente Lula. Dilma Roussef não está nas preferências de boa parte do eleitorado brasileiro, apesar dos níveis de aceitação ao atual líder brasileiro. Carisma pessoal: ter ou não ter, eis a questão.
O processo sucessório tende a ser difícil e conturbado. Na verdade, o PT tentará continuar sendo o PT sem Lula. Por sua vez, Lula já não é o PT há muito tempo. Neste emaranhado de interesses sucessórios, alguns partidos oscilam entre a acomodação e a luta por espaço próprio.
O PSDB de José Serra foi atropelado por uma sucessão de denúncias contra atual governadora do Estado, Yeda Crusius. Atrás da tentativa de impeachment estava a clara intenção de desestabilizar a possibilidade tucana. O PMDB, por sua vez, balança entre a contrariedade local em ajustes com o PT, enquanto que, em nível nacional o partido ainda mantém a tendência a uma acomodação com o governo federal. Perde o PMDB que, ao longo destes anos, não consegue ter um nome de destaque nacional que pudesse buscar a supremacia do partido na disputa presidencial.
Nesta confusa situação, já não se tem uma referência de direita ou esquerda. Nem os partidos reconhecem suas raízes. A política atual está fadada ao obsoletismo. O eleitor vai sofrer durante este período de sucessão.
Observando os modelos sulamericanos, torna-se óbvia a recrudescência fascista que cintila fulgurante na Venezuela e Bolívia. Apenas o governo colombiano se arvora a afirmar sua tendência direitista. Chávez, que já se dá ao luxo de ter uma milícia própria, se demonstra enfurecido, à beira da irracionalidade. Claro que não se pode afastar a idéia de que o MST pode representar uma milícia de prontidão para a eventual queda do PT do cenário de destaque da política brasileira. Blindado de forma inexplicável, sem ao menos existir de forma legal, o movimento (MST) está pronto para grandes confusões organizadas e ensaiadas no caso da derrota de Dilma. Vários observadores políticos defendem esta tese, e o comportamento do governo federal sugere, pela própria blindagem, a tendência destas colocações. Por outro lado, tentando consolidar a continuidade no poder, toda e qualquer obra federal se transforma em palanque. A guerra já começou.
Entretanto, há que se pensar que os níveis de aceitação ao presidente Lula podem não ter grande fator de convencimento do eleitorado para a sua preferida à sucessão. Portanto, não esperemos a mesma empolgação dada à reeleição de Lula ao segundo mandato. Transferir votos é uma coisa complicada, apesar da orquestração que vem sendo montada cuidadosamente em benefício de Dilma Roussef.
Resumindo, o processo eleitoral de 2010 será recheado por fortes manifestações e confrontos políticos que prometem aquecer vigorosamente o eleitorado. A democracia brasileira terá que se adequar a uma modernidade à qual não está acostumada.
O mundo moderno, onde a inclusão é fundamental, já não aceita o modelo paternalista e discursos populistas que distribuem migalhas e não permitem grandes evoluções sociais e culturais, procurando manter o cabresto com demagógicas campanhas magistralmente orquestradas por marqueteiros altamente especializados. Este é o quadro atual, mas Dilma, esta sim, terá de provar a que veio.
Não será fácil.
Hipocrisia
A palavra tem um certo charme, mas esconde algo repugnante que, em vez de ser traduzida por um bom dicionário, poderia ser testada por você mesmo. Então vamos a um pequeno exercício de hipocrisia:
- O álcool é uma droga lícita, que amparada por lei, tem o direito de destruir famílias e causar acidentes graves em vias públicas. Isto para não falar da degradação total daqueles que se entregam ao alcoolismo, considerado doença.
Milhares de famílias vivem este drama silencioso. Números reais de casos decorrentes do alcoolismo poderiam nos levar a uma pandemia. Nenhum fabricante de bebidas alcoólicas é considerado criminoso.
- O cigarro também é legal, mas aos fumantes o desprezo da sociedade começa a criar ambientes todos próprios ao tabagismo.
Faz mal à saúde, tanto quanto o álcool, e tem a característica da difícil perda do hábito. O fumante é considerado um dependente químico. Os ex-fumantes são os piores flautistas aos ainda viciados, mas a coisa não passa disso. Nenhuma fábrica de cigarros está na lista dos procurados por crime. Elas estão rigorosamente dentro da lei.
Um detalhe interessante nestes dois exemplos é que o eventual contrabando destas mercadorias só acontece em função da excessiva taxação de impostos pelo governo federal. No caso do cigarro, o fabricante vive apenas de quatro cigarros contidos numa carteira com 20. O resto é imposto. Não conhecemos relatos dramáticos causados pela atitude descontrolada dos atuais fumantes.
A Caixa Federal é detentora do controle da loteria no território nacional. Algumas premiações estaduais têm o amparo legal da Receita Federal. Tudo dentro da lei, sem quaisquer problemas decorrentes desta arrecadação. Antes do prêmio, o Leão recolhe a sua grandiosa parte. Onde o dinheiro seria usado? Isto já é uma outra história.
Por outro lado, o jogo do bixo, invenção de um imperador tupiniquim, está na lista das contravenções. Jogo do bixo é contra a lei, e ninguém quer que o jogo seja liberado. O motivo pode estar na farta distribuição de propinas que, sem impostos, pode “molhar a mão” de algumas pessoas que “sabem demais". Se liberado fosse, deixaria de ser crime, passaria a recolher impostos gordos e, obviamente, algumas mãos ficariam sem a gorjeta do: “calei a boca”. Hipocrisia.
Se a maconha e cocaína fossem liberadas, o drama dos viciados ainda seria o mesmo, pois a dependência destes produtos é sabidamente conhecida. Em contrapartida, se a droga fosse controlada pelo governo, tanto na produção como na distribuição, assim como o cigarro, onde estariam os traficantes? Desempregados.
Um fuzil AK47 deixaria de ter uso prático. Lá pelos lados do Báltico você compra uma arma dessas por pouco mais de 100 dólares, mas elas chegam no morro custando algo em torno de 60 mil reais, como noticiado alguns dias atrás. Óbvio que o contrabando deste produto á altamente lucrativo. Não se faça de tolo: alguém sempre lucra com uma guerra.
Em escala nacional (ou mundial?), o interesse de alguns em manter a droga como ilícita faz muito sentido.
O interessante é saber como ficariam os morros do Rio de Janeiro se todos os traficantes estivessem desempregados, já que as doses diárias de maconha ou cocaína poderiam ser compradas numa quitanda legalmente regulamentada, que de quebra ainda geraria gordos impostos ao famigerado leãozinho da Receita. Quanto ao tratamento dos dependentes? Bom, parte dessa arrecadação, a exemplo da CPMF, poderia ser utilizada para as clínicas especializadas.
Será que os traficantes continuariam de ser ídolos para a garotada dos morros?
Hipocrisia?
Os governos acabarão tendo que repensar sua relação com a produção das drogas conhecidas. Com a convulsão social deflagrada em guerras urbanas pelo poderio das bocas de distribuição, é uma grande hipocrisia achar que isto é assunto de polícia, pois com os salários em questão é preciso pensar na corrupção de homens que ganham uma vergonha para levar tiro de criminosos ricos e absurdamente armados.
Hipocrisia fazer de conta que não se sabe de onde vem a coisa toda. Como o ópio é caríssimo e circula em esferas sociais mais altas, não se vê notícias sobre o drama social dos viciados neste tipo de produto. Rico é outra coisa. Hipocrisia!
O dinheiro dos impostos arrecadados na comercialização da maconha e cocaína poderia ser utilizado em bons programas sociais de combate à pobreza nos morros cariocas e em todas as outras cidades do país. O certo é que a violência desmedida teria um fim, ou você já viu alguma guerra motivada pela venda de cigarro ou álcool? Só nos tempos da Lei Seca, nos Estados Unidos.
Minha dúvida seria saber, por alto, quanto rola de grana neste submundo, só para que ninguém tenha a coragem de sugerir que estas mercadorias estejam nas prateleiras de supermercados, assim como as inúmeras marcas de cigarro e outro universo de bebidas alcoólicas que vemos todos os dias.
Vamos deixar de ser hipócritas. Precisamos começar a pensar nisso antes que seja tarde demais.
hipocrisia: ato de fingir ter crenças, virtudes e sentimentos que a pessoa na verdade não possui.
A palavra deriva do latim hypocrisis e do grego hupokrisis, ambas significando representar ou fingir.
O advogado do diabo
Anos atrás um filme fez grande sucesso: O advogado do diabo. Esse era o título (com Al Pacino).
Esta semana (11 a 16/10) nossa redação se viu lotada de reclamações furiosas contra um vereador local que teria “soltado o diabo”. O assunto se refere ao Habeas Corpus impetrado ao acusado de atentado violento ao pudor que havia tido sua prisão decretada. Poderia dizer que estas pessoas viviam momentos de fúria ao saber que um vereador do povo estaria a serviço do acusado.
Apesar da comoção pública, precisamos discernir as diferenças básicas entre um advogado e um vereador, mesmo que estes sejam, como neste caso, a mesma pessoa. Um vereador é eleito para dedicar-se aos interesses de uma comunidade, buscando, na atualização, reformulação ou implementação das leis municipais o melhor desempenho dos poderes instituídos a favor da coletividade. Se radialista, nada impede que continue a exercer sua função profissional. Isto vale para qualquer outro ramo de atividade. Escolha um qualquer.
O que acontece aqui é a incompreensão sobre as atribuições de um Legislador. Nenhum vereador legislará sobre a área criminal, coisa pertinente a outras esferas. Vale lembrar que existem poderes instituídos: Legislativo, Executivo e Judiciário. Como o vereador em questão é advogado, e exerceu sua profissão nos procedimentos referentes ao Hábeas Corpus, junto ao Judiciário, parte da população interpretou que ele soltou o diabo em vez de, com suas prerrogativas de legislador, ter trabalhado para que a prisão preventiva se mantivesse. Isso não aconteceria. Esta é a história do engano e da revolta pública.
Com certeza o advogado está vivendo um grande conflito com o vereador, pois sendo a mesma pessoa, lá pelas tantas deve ter se acordado ao fato de que os eleitores não queriam o detento em liberdade. Provavelmente o vereador também não quisesse. Falou mais alto a profissão, praticada sem a passional de quem não lida com estas mazelas sociais.
De qualquer sorte, o vereador ainda vai ter que enfrentar a população cansada dos entremeios jurídicos que dão aos acusados e suspeitos o direito de responder processos em liberdade. O mesmo aconteceu com o “caso da orelha”, onde o suspeito goza de liberdade até hoje, enquanto o processo se arrasta penosamente no seio do Judiciário.
Inegável que a grita geral em busca de agilidade da Justiça procede. Inegável que a pedofilia é um dos piores e mais silenciosos martírios da sociedade moderna.
Discutir criminalidade e benesses judiciais seria um ótimo argumento para um outro espaço a cargo de pessoa capacitada para tanto. Sou um tanto passional, também, e nunca tolerei a idéia de se tratar bandido como “cidadão”. Isto até foi moda tempos atrás.
A sociedade não suporta mais o nível de criminalidade que se agiganta a cada dia. A grita contra o vereador reflete o desespero e a inconformidade de famílias inteiras abandonadas a mercê do prende e solta da bandidagem pela caneta magistral daqueles a quem caberiam os exemplos mais contundentes de moralidade e justiça.
O advogado agiu, o vereador se complicou, e a comunidade, alheia ao latim processual, quer a cabeça que qualquer um que não grite a seu lado pelo direito, decência e justiça. O único cuidado imperioso, agora, é zelar para que nós mesmos não nos tornemos “justiceiros”.
O vereador pagou o pato por um procedimento judicial, que é coisa para advogados. É assim que é, e não vai mudar. E sobre isso, nenhum vereador poderá legislar. Tempos difíceis.
Locura dos deuses
A notícia, apesar de global, ainda não chamou a atenção merecida: terroristas passaram a usar supositórios explosivos. Isto significa, na melhor das hipóteses, que todos os equipamentos pós-modernos em aeroportos de segurança máxima terão de ser reformulados. A bomba agora é o próprio condutor, naquilo que podemos realmente chamar de homem-bomba.
Especialistas em segurança devem estar preocupados com as manobras para remoção destes artefatos, se e quando um destes agentes terroristas vier a ser detido em algum ponto de verificação. A loucura divina pode levar aos mais inimagináveis dispositivos de vingança, e a vida humana, esta sim uma dádiva superior, é jogada ao plano raso da irracionalidade.
Até quando o homem estará disposto a guerras suicidas e assassinas em nome de deuses que jamais participam de tais operações?
Algumas diferenças históricas podem ser comparadas por atitudes como esta: aos tempos das grandes guerras, um homem que possuísse informações valiosas costumava levar consigo uma dose letal de veneno. Ele serviria para o suicídio antes de um interrogatório cruel. Tal agente destruía a si próprio em nome da preservação de uma causa.
Os supositórios com alta capacidade explosiva vão despedaçar o hospedeiro e, à sua volta, deixarão um rastro de destruição que obviamente procurará atingir figuras importantes. A que ponto poderemos evoluir neste plano insólito de vingança, revanchismo ou simples ignorância política?
Os conflitos e a capacidade destrutiva no Oriente Médio nunca consideraram a sobrevivência como objetivo básico. Os heróis de Alá vão se matar aos montes, mas não se extinguirão. Sempre existirão células de preparação para o auto martírio em nome da supremacia religiosa e do inconformismo com o mundo.
Há quem diga que esta circunstância é presente naquela região desde que o mundo é mundo. Já não se pode mais duvidar. Contudo, não existe possibilidade de entendimento arrazoado destas motivações inexplicadas, que simplesmente semeiam destruição e morte, principalmente no meio de civis que nada tem a ver com os mais altos interesses políticos deste ou daquele reacionário.
Eles sequer lutam por vidas melhores. Boa parte deles vive escondida em buracos mal cheirosos, vestidos pelo descaso às suas próprias convicções, apenas amparados por armas de distribuição gratuita. Grande parte deles vivem como bichos, esperando que suas vidas comuns sejam realçadas pela atitude máxima de aniquilar a sua, e outras vidas, em nome de uma divindade catastrofista.
Quase todas as religiões são catastrofistas, e as mais radicais conseguem extrapolar esta característica.
Deuses e demônios poderiam traçar suas batalhas mortais num céu distante, sem que o sorriso de crianças fosse mutilado e endurecido pela irracionalidade dos loucos influenciados pelas veladas ameaças das pragas divinas.
Que deuses e demônios se matassem, aos montes, numa nebulosa distante, pois afinal de contas o céu parece lhes pertencer. Que queimassem esses deuses em explosões espantosas de estrelas supernovas, e que vencesse esta luta entre o bem e o mal aquela divindade justa, que ensinasse o homem a preservar o sorriso da criança, o carinho de mães e a sabedoria de pais responsáveis. As mulheres, em suas burkas negras só conseguem chorar a chacina. Para os deuses da vingança e do inconformismo elas não têm serventia.
Se estes são os deuses da humanidade, deveriam estes velhos e senis senhores, sentir vergonha do que estão fazendo com suas ovelhas, ou camelos, como queiram!
O diabo deve andar morrendo de rir, sem o menor esforço!
Adote um buraco
Não é de agora que as chuvas causam estragos pesados na malha viária de Tramandaí, principalmente em ruas e avenidas revestidas com o nefasto asfalto frio. Já conhecemos bem a rotina destas intermináveis manutenções. Esta conjunção de solo e resinas sintéticas é algo que pode deliciar os químicos, mas os prejuízos aos cofres municipais são relevantes. Os proprietários de automóveis também pagam caro por isto.
Pois bem, outros municípios do litoral usaram uma solução absolutamente simples: concreto.
Nos cruzamentos das principais avenidas perpendiculares ao mar a solução foi o concreto pelas esquinas. Um trabalho que simplesmente acabou com as constantes e ineficazes operações tapa buracos. Estas obras estão lá, para quem quiser ver (e copiar a idéia, é claro).
Já em Osório, onde o asfalto frio também não daria muito certo, a pavimentação com bloquetes de concreto foi providencial e elegante, para não dizer “ecologicamente correta”. Afirmam que o bloquete é caro, muito mais caro que a resina a frio. Isto também é verdade, mas a colocação dos bloquetes é única, definitiva. Manutenção em encanamentos exige a simples remoção e recolocação do bloquete no lugar.
Ao longo dos anos de vida útil deste produto, seu custo cai a quase zero, se comparado com as constantes arrumações improvisadas em grotescos remendos num asfalto de qualidade duvidosa, que só fazem espalhar brita pelo meio fio.
Ao mesmo tempo, a prefeitura poderia empregar alguma mão-de-obra local e criar uma unidade fabril destes componentes em concreto, para assim começar uma remodelação que não poderá ser protelada ao infinito. Esta solução poderia acabar se mostrando útil em dois pontos problemáticos da nossa sazonalidade: emprego e renda e economia aos cofres públicos.
Como o assunto sequer é cogitado, lá vamos nós aos remendos emergenciais em crateras que se abrem, do dia para a noite, nas principais artérias da cidade. Além de feios e destinados ao fracasso, estes remendos grosseiros emprestam aos administradores a fama de desleixados.
O certo, lamentavelmente, é que a prefeitura vai gastar bons recursos na tentativa de recuperar a malha asfáltica, colocando mais uma camadinha de “meleca” nas nossas panelas cotidianas. Em algumas ruas já não há altura suficiente para o recapeamento, e o mais adequado seria o asfaltamento das calçadas também. Pelo menos seria algo inédito.
Enquanto isto, vamos ao ballet dos carros saltitantes, bailarinos ágeis entre um buraco e outro, deixando lascas de pneus e bons palavrões aos responsáveis por esta situação.
Vamos então aderir a esta nova campanha: adote um buraco, enfeite com bandeirolas e cavaletes e o veja crescer.
Parece idiota, mas é divertido. Ou você tem outra idéia?!
Zelaya e Chávez, confusão à vista...
Não há ineditismo nesta recente confirmação: Zelaya, o presidente hondurenho deposto por predisposições constitucionais daquele país, tinha, desde o início de seu teatral movimento, a conturbada influência de Hugo Chávez, figura que se torna folclórica nas confusões institucionais da América Latina.
Pois este cidadão, o Sr. Zelaya, investido de uma feroz tendência de se perpetuar no poder, entra na embaixada brasileira em Tegucigalpa e, sem a condição de asilado político, a transforma em palanque eleitoral, de onde incita a população a reagir contra as decisões judiciais e constitucionais que o alijaram do poder.
Este é o quadro, e o Brasil, em nome da democracia imaculada, entrou de gaiato nesta enorme e desgastante confusão continental. A comunidade internacional começa a pressionar o governo brasileiro a tomar uma atitude definitiva em relação à condição do Sr. Zelaya dentro da embaixada brasileira, enquanto protesta com as excessivas liberdades de expressão que este cidadão está dispondo nesta delicada situação. Zelaya não é um asilado político.
Fala-se de um golpe de estado, que tecnicamente não existiu. Verdade que a comoção causada pelo afastamento cinematográfico e exagerado de um presidente eleito é reconhecidamente preocupante. Precisamos entender, ainda que a contragosto, que a perda do mandato do Sr. Zelaya se deu não por um golpe contra ele, e sim por um golpe que ele mesmo planejava, pretendendo, para isto, pisotear a constituição hondurenha com o franco apoio de Chávez.
A verdade dos fatos, nos dias subseqüentes, coloca o Brasil numa posição delicada, pois para alguns o governo brasileiro parece irredutível em apoiar Zelaya e não a constituição hondurenha que, apesar dos pesares, deve ser respeitada como a base para o processo governamental daquele país, independente da popularidade de um nome que esteja ocupando o cargo presidencial.
Conhecendo-se a história política de Honduras, onde a sucessão de golpes políticos e militares é bastante comum, resta a firme observação dos fatos que se desdobrarão a partir deste incidente internacional em que o Brasil acaba tendo indesejável liderança.
Decidir pelo certo é difícil, no momento em que a circunstância inicial deste episódio joga contra o homem que se pretende martirizar como injustiçado. Entre a constituição e o homem, a diplomacia brasileira precisará balizar o posicionamento de um país que se pretende firmemente democrático e justo.
Preocupante, entre todos estes elementos, a presença onipresente de Hugo Chávez, o venezuelano que invade e silencia rádios, escorraça seus desafetos com o uso da força e se apregoa como presidente vitalício de uma Venezuela pobre e enfraquecida pela opressão aos direitos civis. Neste caso o Brasil não parece ter a mesma e forte opinião. O Brasil também não se manifestou com a mesma veemência quando, na Argentina, o governo Cristina invade o jornal El Clarín e demonstra sua insatisfação com a linha editorial daquele periódico.
Os desdobramentos destes episódios podem nos remeter a uma antipática relação com os irmãos hispânicos, pois estamos deixando transparecer uma tendência excessivamente tolerante aos amigos e um profundo descaso aos verdadeiros casos de abuso à democracia e liberdade de expressão que acontecem na nossa América pobre.
Entramos de gaiatos no navio, mas precisamos sair desta confusão com sabedoria e respeito.
O imperialismo brasileiro
Honduras é um pequeno país de língua espanhola, encravado na América Central. Nada de mais se, por estes dias, não estivesse também encravado no noticiário nacional e internacional em função de um golpe militar que acabou arrastando o Brasil para um cenário de confronto diplomático difícil.
O episódio de outro golpe militar em território latino não é novo, mas desta vez o Brasil assume um papel importante no desenrolar dos fatos. Óbvio está que nosso país ocupa espaço destacado no cenário das Américas pobres, fato que trouxe à baila uma nova preocupação: a hegemonia no continente.
Descomplicando as coisas, dá para dizer que tudo o que acontece no continente sul-americano terá a influência do Brasil. Assim, ainda que a bocas pequenas no cenário diplomático, estamos sendo taxados também de “imperialistas”, coisas que até então tinham os Estados Unidos como foco central.
O asilo político a Zelaya, presidente hondurenho deposto, serve de alerta para algumas intenções dissimuladas que fervilham no nosso continente: uma grande briga pelo poderio político e sua conseqüente liderança no conserto dessas nações.
Chamou-me a atenção uma charge em jornal de grande circulação onde o presidente Lula, ao telefone, aconselhava um de seus ministros a não começar uma guerra, visto que os jatos, helicópteros e submarinos novos ainda não haviam sido entregues (Marco Aurélio - ZH - 23/09). Um jeito divertido para abordar uma situação muito séria.
Na prática, temos uma embaixada sitiada, sem água e luz, ameaçada de invasão pelo governo golpista daquele país. Enrascada grossa que pode acabar numa grande confusão internacional. As atenções se voltam para a seqüência do episódio, e, principalmente, para as conseqüências finais desta iniciativa liderada pelo presidente Lula, que insiste numa solução pacífica para o impasse, desde que seja devolvido a Zelaya a presidência que lhe foi usurpada pelos golpistas, que não estão dispostos a muita conversa.
Inédito mesmo é a condição “imperialista” que está sendo imposta ao Brasil. A luta pelos direitos democráticos se transformou em imperialismo?
Sequer entendemos isto com clareza. Acho que já vi este filme antes!
De qualquer forma, uma nova era está nascendo nos bastidores da diplomacia da América Latina. Teremos que aprender a lidar com isto. Não é de hoje que alguns presidente latinos estão se arvorando a líderes, mesmo que para isto usem de ferramentas pouco ortodoxas, para não dizer perigosas mesmo.
Tudo em nome do bolivarismo?
O Brasil é, nos dias de hoje, um exemplo que incomoda boa parte de republicas inquietas à beira de grandes ataques de nervos.
Precisamos aprender a conviver com um novo tipo de vizinhança: a inveja. Estamos nos desenvolvendo a duras penas, onde o custo social ainda é demasiado e, por muitas vezes, injusto. Nem por isto vamos fechar os olhos para nossa relevância no contexto internacional, e trabalhar ainda mais para que o Brasil se modifique positivamente com o aprendizado dessas novas circunstâncias.
A partir daí, ser taxado de “imperialista” é mero detalhe. Temos que nos acostumar.
Alguém lembra do Tratado de Tordesilhas?!
Liberdade de expressão
Pois no disse-me-disse da polêmica sobre a propaganda política para 2010, o assunto Internet acabou virando coisa séria, e a batata quente foi jogada no colo do presidente Lula. Entre a censura que não vingou e a liberdade quase irrestrita sobre publicações na grande rede, restou uma grande e curiosa verdade: não se pode mais calar a boca do povo.
Há tempos se sabe que nenhum veículo de mídia é tão importante quanto à internet. Ela venceu rádio, jornais e TVs numa luta que desde o início já mostrava quais seriam os caminhos da informação. A internet não admite pacotes pré-fabricados e nunca obedeceu a imposição de horários, além de permitir a interação de qualquer pessoa. A notícia circula livremente, nas 24 horas do dia, abrangendo toda e qualquer fronteira deste planeta já não tão grande quanto imaginávamos.
Estar "on-line" é tudo. Tá certo: China e Coréia do Norte ficam fora disso.
A internet tem uma única bandeira: a liberdade de expressão. Ponto final.
Mesmo assim, num país que se diz democrático ao extremo, bem que eles tentaram cercear o direito de opinião dos internautas. Tentaram em todas as instâncias e, vencidos por antecipação, jogam o pacote da liberdade no colo do maior mandatário da República.
Considerando que o Lula de hoje já não é o mesmo do passado, ainda acredito que algum conselho restricionário tentará ser imposto ao presidente brasileiro. Falar de mal políticos corruptos pega muito mal entre políticos corruptos. É claro que estes estejam se borrando perna abaixo, afinal, a podridão atual nem sempre é noticiada na grande mídia oficial.
Baseado nessa premissa, acho que as orelhas do presidente vão esquentar quando o pacote estiver em sua escrivaninha para ser sacramentado. Mas, acreditando na força de um veículo que não se dá ao trabalho de ter fronteiras, quero ver como terminará esta história. Todos estão de olho, e boa parte dos verdadeiros interessados está roendo as unhas.
Confirmada a tendência, caberá aos eleitores brasileiros uma redobrada atenção à informação que circulará na grande rede. Isto vai ajudar nas escolhas e, principalmente, na eliminação daqueles que não merecem o voto de quem quer que seja
Se o presidente fizer a parte dele, confirmando a democracia e a liberdade de expressão, que sejamos nós os algozes dos tantos inescrupulosos que desfilam no cenário da vergonha que assola a classe política nacional. Os bons políticos não têm porque me perdoar.
Dos maus quero distância. Vamos pro "paredão"!...
Qualquer que seja a circunstância, a verdade é que nesta interminável corrente de informação a roupa suja será lavada nesta grande vitrine mundial que é a internet. Segredos foram feitos para quatro paredes.
A internet não tem paredes, a não ser na China e Coréia do Norte, é claro.
E, mesmo que por caminhos difíceis, fica comprovado, mais uma vez, que a internet é, definitivamente, a maior fonte de informação que o planeta já viveu. Saber aproveitar este milagre eletrônico não é benção, éobrigação.
Vale a informação, seja em linha discada, banda larga ou 3G. Vale a verdade em todas as suas nuances, seja por e-mail, blog, fotolog e outros “og” que estejam ao nosso alcançe. Agora, é claro que aqueles que tentaram cercear a liberdade de informação devem ter muito bons motivos para isso.
Esperemos a decisão presidencial, ela deverá ser justa.
Só na China e Coréia do Norte não é assim. Por que será?!
Os monstros do passado e do presente
Já se passaram oito anos. Bin Laden nunca foi encontrado.
Até hoje, em algumas obras nas imediações do local onde estavam as Torres Gêmeas, ainda são encontrados restos mortais das milhares de vítimas do 11 de setembro de 2001. Muitos sequer foram encontrados.
A engenharia do orgulho quer reconstruir algo magnífico no mesmo lugar, como que para recuperar o brio de uma cidade que até hoje se ressente daquela tragédia descomunal aos milhares de civis que morreram sem saber porquê.
Deve ser uma dor que, de fato, dói demais no coração dos americanos.
Quis a história que este dia fosse muito próximo de outras duas datas fatídicas para a humanidade: 6 e 9 de agosto de 1945. Desta forma o mundo reviveu, nestes últimos dias, a agonia da segunda guerra mundial, iniciada em setembro de 1939, duas bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki (6 e 9 de agosto) e agora, o 11 de setembro.
O que nós aprendemos com isto?
Quase nada!
Os governantes do mundo contemporâneo parecem preparados para cometer os mesmos erros do passado.
A dor dos americanos, em nossa memória recente, não pode ser muito diferente da dor japonesa e seus muitos milhares de civis aniquilados por interesses políticos beligerantes. Ainda agora choram os mortos vitimados em silêncio.
No centro destes acontecimentos, durante a comemoração dos 70 anos da Segunda Grande Guerra, todos os países pareciam atentos às novas possibilidades de conflito. Não se pode esquecer que os aliados de hoje podem ser os inimigos de amanhã.
O medo ainda permeia entre nós.
Os vivos, remanescentes daqueles dias de terror, nunca poderão esquecer. Com certeza, em função do distante calendário e da falta de interesse, as vítimas da Primeira Grande Guerra não têm a mesma reverência. Mas fica claro que entre as duas grandes guerras mundias (1914 e 1939), pouco foi aprendido por aqueles que detinham o poder sobre a vida e morte de milhares, ou milhões, que acabaram pagando o maior preço face à intolerância e a soberba humana.
Nos registros históricos alguns nomes ficaram como ícones da desgraça coletiva. Entre eles, Mussolini, Hitler, Goebels, Himler, General Franco e outros tantos que se destacaram no genocídio patrocinado pela prepotência. Bin Laden, despojado de farda e brilho, ainda perambula no anonimato, provavelmente sendo idolatrado por fanáticos guerrilheiros que podem atacar de novo, a qualquer hora, sem qualquer aviso, buscando notoriedade e glória com a contagem de suas inúmeras vítimas, sempre civis.
Note que passamos da grandiosidade absurda da guerra formal para a prática da guerrilha em trajes comuns, levada a cabo por gente que julgamos iguais a nós, vivendo em nosso meio. Vivemos um momento raro na civilidade humana.
Para contornar os sofrimentos e a culpa, homenageamos os mortos com pompa, circunstância e lágrimas. Depois, passada a solenidade, continuamos céleres, dizimando fauna e flora, aquecendo nossa atmosfera, emporcalhando o ar com nosso lixo, distribuindo drogas e, absortamente, nos julgando muito diferentes (e melhores) daqueles animais que a história premiou com a imortalidade.
O 11 de setembro será apenas mais uma data. Nós continuaremos sendo os mesmos!
Prioridades bélicas?!
A política brasileira resolveu polir nosso orgulho nacional, determinando a atualização de suas armas. Divulga-se a compra bilionária de 36 caças, 5 submarinos e 50 helicópteros franceses. Aparentemente confirmado, mas ainda não sacramentado, o acordo consumirá 36 bilhões. Ao que parece, nossa economia vai muito bem, obrigado.
No cenário da América Latina não há dúvida de que o Brasil tem importância significativa, mas temos algumas questões internas que precisariam ser discutidas com o mesmo alarde dado ao acordo com os franceses: educação e saúde. Para estas urgências, ao que parece, a pressa não tem o mesmo passo.
A condição de liderança no cenário latino não se sustentará apenas com a modernidade das armas, até mesmo em função do modesto poderio militar que esta aquisição representa, considerando-se a extensão territorial do país. Não seria lógico dizer que esta modernização não é importante, mas é preciso reconhecer, também, que ela não tem sustentação própria. Definitivamente, à exceção de Hugo Chávez, o militarismo não deveria ser o foco destas ações. Precisamos reconhecer que o braço militar da imensa nação brasileira é inexpressivo no cenário mundial. Como estamos em tempos de paz, vale a iniciativa da melhoria dos serviços de vigilância da nossa soberania, mas nada além disso.
Por outro lado, os meios de comunicação estão mostrando a pouca qualidade da escolaridade e formação intelectual da parcela jovem da população brasileira. A internet tem sido um termômetro cruel desta realidade. Junte-se a este fato as imensas necessidades na área da saúde, que consegue chegar ao nível do caos em quase todas unidades hospitalares do Brasil “pré-sal”.
Não seria prudente priorizar a força. Seria estupidez menosprezar a qualificação humana.
Por este caminho, de nada adiantará a modernidade bélica, pois nossos maiores inimigos estão dentro de nossas fronteiras: os baixos níveis de distribuição de riqueza, geração de emprego e renda absurdamente comprometidos pela falta de qualificação profissional e a morte espreitando nas longas filas de espera por atendimento médico qualificado e eficaz. Na verdade, esta aquisição militar seria consumida rapidamente se utilizada especificamente no controle severo dos tumultos promovidos por traficantes nas grandes favelas brasileiras.
Isto é fato. Uma realidade fora de controle.
Portanto, todo o alarde da mídia em torno do acordo Brasil/França está servindo para desviar nossa atenção das inúmeras e urgentes necessidades internas. Há perigo nisso, principalmente se lembrarmos que a riqueza de eventuais lençóis petrolíferos do oriente médio nunca foi distribuída entre a população dos grandes países produtores. Dubai é um milagre no deserto, mas não passa disso. Não se sustentapor suas próprias forças, parecendo um grande parque de ostentação de meia dúzia de marajás.
Assim, ainda que concorde com a modernidade das nossas ferramentas militares, tenho a impressão de que tal equipamento serve basicamente como um recado ao venezuelano Chávez e seu delirante sonho de soberania latino-americana.
De resto, muito milhões devem ser empregados com absoluta urgência na melhoria da saúde nacional, ensino nacional, moradia nacional e, porque não sonhar, com a evolução intelectual da juventude brasileira que pouco conhece além do Twitter, um modismo da internet onde sequer sabe escrever.
O desassoreamento do rio Tramandaí
Mais uma vez o assunto do desassoreamento do Rio Tramandaí vem à tona, desta vez na câmara de vereadores de Tramandaí. Pura demagogia.
O tema não deveria ser exposto sem o conhecimento da grandiosidade técnica envolvida numa iniciativa desta natureza. Em primeiro lugar, a proposta da alocação de 100 mil reais sugerida por um dos vereadores locais sequer cobriria os custos dos estudos da análise e impacto ambiental que seria necessário.
O foco da questão é a Bacia do Rio Tramandaí em toda a sua extensão, coisa que envolve vários municípios do litoral norte. Conseqüentemente, não seria Tramandaí a custear esta etapa. Um consórcio dos municípios da Amlinorte seria imprescindível para bancar este estudo, e os custos não seriam inferiores a 500 mil reais.
Vários aspectos impedem que qualquer iniciativa municipal possa ser contemplada. A primordial seria uma licença ambiental que autorizasse uma obra desta grandeza. Ela não existe, e não existirá nestes moldes. Além disto, os custos não podem ser bancados com verbas municipais e, muito provavelmente, sequer o Estado poderia arcar com esta demanda. Projetos desta envergadura passam, quase que necessariamente por incentivos internacionais, e aí a coisa se torna complicada.
Por outro lado, o verdadeiro assoreamento da coroa da barra está, em sua totalidade, dentro do município do Imbé, uma vez que a divisa municipal é determinada no centro do canal do rio. Ou seja, o depósito de areia nas imediações da Barra está integralmente no município vizinho. Precisamos nos conscientizar que não será uma draga a resolver o problema. Toda a extensão da bacia precisaria ser estudada em detalhes. Os dejetos que assolam a qualidade das águas do Rio Tramandaí são oriundos de esgoto, agrotóxicos, lixo, e outros itens que podem ser identificados com facilidade.
A qualidade da pesca não está comprometida apenas pelo assoreamento, e sim pela degradada condição das águas.
Vale lembrar que todas as porcarias descartadas ao longo do rio acabam chegando aqui na barra, dando-nos a impressão de que o problema é apenas nosso. Esqueçam a falácia das dragas.
O assunto é serio demais para abordagens tão incipientes e demagógicas. A própria secretaria do Meio Ambiente local poderia ser consultada para esclarecer as condições técnicas de um projeto desta envergadura. A informação está lá, para quem quiser.
Alocar 100 mil reais para uma iniciativa destas é, no mínimo, grosseira e despreparada.
Verdade que um dia este assunto se tornará imperativo, mas nunca poderá ser resolvido por empreendimentos isolados deste ou daquele município. Tudo poderia começar na conscientização individual dos preceitos básicos de preservação. Comecemos por um estudo local que indicasse com clareza quem está jogando lixo e esgoto na lagoa do Armazém. Este sim é um problema local.
O desassoreamento do Rio não estará nunca na alçada da promessa política. Isto é algo muito sério para ser tratado sem o mínimo conhecimento do que se está falando. O pior é que esta não foi a primeira vez e nem será a última.
Desagradável é ouvir estas pérolas da desinformação dentro dos legislativos locais, principalmente em Tramandaí e Imbé, onde o assunto já está desgastado, além de totalmente infrutífero.
E nem estamos em época de eleição.
Doloras estatísticas
Quando as estatísticas dão conta de que a situação emprego e renda de Tramandaí está muito aquém do desejado, valeria uma reflexão. Estamos à beira do oceano, num solo delicado onde o equilíbrio ecológico exige muita responsabilidade. As condições de escoamento de qualquer produção industrial também precisaria ser analisada com muito cuidado. Acrescente-se a este panorama as difíceis condições de armazenamento de qualquer tipo de matéria prima necessária a um processo industrial. A maresia não é convidativa a grandes estoques.
Tudo isto seria preocupante se, para piorar as coisas, a formação de mão-de-obra especializada não fosse outro fator determinante para ausência de grandes unidades produtivas em todo o litoral gaúcho. Não é de se estranhar que, por estas mesmas razões, todos pretendam ser funcionários municipais, tornando as prefeituras da região os maiores empregadores, colocando os poderes Executivos em rota de colisão com as Leis de responsabilidade fiscal. Esta situação, por si só, não será sustentável em longo prazo.
A baixa escolaridade e a migração desordenada e livre de qualquer controle ajuda a complicar ainda mais as coisas.
Desta forma, a badalada vocação turística dos municípios litorâneos não passa de uma tentativa tênue de amenizar esta dura realidade. Mas o sol está quase sempre por estas bandas, nos passando a sensação de que tudo vai ser melhor amanhã.
Algumas cidades do litoral gaúcho, que experimentaram um forte incremento na indústria civil, se viram cercadas por crescentes favelas assim que as obras dos grandes espigões foram chegando ao fim. O mercado imobiliário tem, como principais clientes, os investidores de verão que já nem se dão mais ao trabalho de planejar suas temporadas de férias cada vez mais curtas.Só o comércio importa.
Não há qualquer preparação séria para o turismo. As poucas iniciativas permanentes são incipientes e mal coordenadas.
Os calendários municipais são fracos, o apoio do governo estadual é ínfimo e o reconhecimento federal a esta necessidade sequer é cogitado de maneira eficaz. Em suma, o litoral gaúcho vive os sonhos da maresia e do nordestão enquanto o verão não chega.
E o verão sempre passa rápido.
Como as estatísticas poderiam se diferentes? Difíceis respostas.
A gigantesca carga de impostos praticada no país é um outro elemento que, em tempos de crise, espanta qualquer intenção de investimento regional, por mais interessantes que fossem as perspectivas de evolução comercial. Não há dinheiro em circulação suficiente para fazer girar esta roda. A economia brasileira ainda se atrela a programas paternalistas, eleitoreiros, que distribuem migalhas aos milhões de brasileiros sem opção.
Por outro lado, viver em cidade grande custa caro. Nelas, quantos podem conhecer pessoalmente os governantes, e a eles suplicar ajudas para o cotidiano? As distâncias são maiores, os deslocamentos mais custosos e as opções de emprego e renda tão difíceis quanto aqui.
Não teremos mudanças significativas nestas estatísticas enquanto a escolaridade de boa parte da população estiver estagnada em patamares que pouco se diferenciam do analfabetismo funcional. Não existe turismo sem cultura ou dinheiro. Turista (ou vernaista) não gosta de ser mal atendido. Quem viaja sabe valorizar seu dinheiro, e a política exploradora da alta temporada faz vítimas graves entre os locais que ainda pensam em faturar muito durante dois meses, para depois viver o resto do ano com pouco esforço.
O mundo já não permite estas extravagâncias aventureiras da venda de picolés e rapaduras à beira-mar. Precisamos ter e saber oferecer muito mais do que isto.O tempo passou e o resultado está aí. Os que souberam se preparar venceram.
Doloroso, mas verdadeiro!
No lugar errado, na hora errada!
A semana nos trouxe imagens inéditas de um cavalo sendo atropelado em plena avenida Brasil, no centro do Rio de Janeiro. A cena, muito bem gravada, tem momentos que a fazem absolutamente similar ao que acontece no cenário político nacional, principalmente no Senado.
Quem viu as imagens pode fazer a seguinte comparação:
O cenário é a Avenida “BRASIL” (muito sugestivo). O foco das atenções é um cavalo andarilho, completamente perdido no tumultuado trânsito das necessidades da avenida “BRASIL”. Bombeiros já estavam lá, para tentar a remoção do infeliz animal. A câmera focava o prenúncio de um grave acidente. Todos aguardavam o desenrolar da cena. Arrepiante.
Imagine-se como um bombeiro diante daquela condição. Várias idéias, mas muito pouco o que fazer. Considere que o cavalo em questão não estaria muito preocupado com o volume de tráfego da Avenida “BRASIL”. Mas você está lá, esperando pelo pior.
A imprensa, por seu lado, também está de olho.
Repentinamente, um brasileiro comum, dirigindo seus interesses pela Avenida “BRASIL”, se depara com o peso da irresponsabilidade de um irracional que estava no lugar errado e na hora errada. Não, não era o Senado, era a Avenida “BRASIL”. Colisão inevitável.
O brasileiro, desgovernado, salta a divisória da pista contrária e se esborracha contra uma parede, bem ali na contramão.
Fim da cena? Não.
O quadrúpede, depois de reviravoltas no ar, se estatela no leito da Avenida “BRASIL”. Os bombeiros, que inicialmente buscavam o cavalo, agora se deparam com a necessidade emergente de socorrer o brasileiro dos destroços de um carro destruído pelo impacto. Ou seja, a irresponsabilidade de alguém que permitiu aquele cavalo ali vai ser questionada e, muito provavelmente, ficará por isso mesmo. O responsável pode nunca ser encontrado.
Fim da reportagem. Um cavalo a menos e um brasileiro em apuros.
O carro do brasileiro que andava célere pela avenida “BRASIL”, aparentemente tranqüilo e protegido, deve ter seguro. Assim, apesar do susto, todos sobrevivem. Com exceção do cavalo, é claro.
Os bombeiros fizeram o que puderam pelo sobrevivente, mas para as autoridades constituídas, fica a vergonha de ter permitido um quadrúpede no lugar errado e na hora errada.
Os elementos desta cena não são desconhecidos no roteiro dos interesses brasileiros na Avenida “SENADO”.
Todos nós estamos na frente da telinha esperando o final de uma outra reportagem. Vários bombeiros podem ser enquadrados na cena, estão lá, tentando a remoção do..., dos percalços que atrapalham o trânsito do progresso naquela instituição, em pleno horário de pique. "RUSH”, como dizem os cariocas.
Pois é assim que teremos o replay destas cenas. E nem precisa do “slow motion”.
Nos interesses da imensa avenida “BRASIL”, sempre correremos o risco de encontrar algum quadrúpede perdido, no lugar errado e na hora errada, com evidentes sinais de não querer sair dali. Algo do tipo: contramão do progresso.
Não me surpreenderia se a reportagem nos informasse que o motorista daquele acidente ainda acabasse multado por atropelar o animal. Claro, isto é só suposição, mas em se tratando da Avenida “BRASIL”, até que não dá para duvidar.
E nós, na avenida SENADO. Como é que ficamos?
CUIDADO, muito cuidado!
Quais os caminhos do PT?
Os anjos não habitaram a terra nem mesmo no período da Santa Inquisição, e todos sabemos disso.
Não é de se esperar que, na atualidade, algum santo resolvesse habitar os plenários da política nacional. Cada um de nós tem uma opinião sobre os descompassos que cercam os palácios governamentais. Cada um de nós espera, às vezes com muita impaciência, que as coisas se resolvam de forma rápida e satisfatória. Sonhos!
Aqui no Estado, o PT se prepara para fritar a figura da governadora. Em Brasília, o mesmo PT se esmera em ataduras medicinais para a proteção de Sarney. Nada poderia evidenciar, com mais clareza, a velha receita dos “dois pesos e duas medidas”.
Aliás, falando em PT, acredito que o esfacelamento da sigla é inevitável, questão de tempo. Depois de trinta anos de militância e cinco anos de ministério, Marina Silva se desfilia do sonho dos trabalhadores. Mercadante sinaliza o abandono da liderança petista no senado por não concordar com a atuação do partido, principalmente em termos éticos. Manobras providenciais vão tentar contornar essa situação difícil, e Lula ainda vai chiar um bocado com estas reviravoltas.
A frente deste cenário as eleições presidenciais de 2010. Lula deixará o cargo, mas quer preservar o poder através de Dilma Roussef, que tem se demonstrado extremamente capaz de envolvimentos em circunstâncias delicadas para suas pretensões eleitorais. O tal encontro de Dilma e Lina Vieira (ex-Receita Federal),ainda vai dar muito pana pra manga.
Em meio a tudo isto, onde ficam as verdadeiras chances de Lula transferir sua popularidade para Dilma?
Calculosos especialistas vão tentar acertar as premissas, mas uma coisa é certa: Lula não é Dilma, e todos os brasileiros sabem disso. Será que a “dama de ferro” brasileira vai ter forças para vencer esta aura sisuda que espanta votos e se tornará a versão feminina de “Lulinha paz e amor”?
Alguns sinais são evidentes de que nem mesmo o PT ainda acredita nisso.
Considerando o tempo até as eleições de outubro de 2010, é certo que as águas que passarão por baixo dessa ponte podem abalar os alicerces da pretensiosa campanha petista para 2010. E, mais um detalhe: tudo foi preparado para Dilma. Não há outro nome capaz de convencer o nosso presidente, e talvez, nem mesmo a militância.
Pois entre CPIs aqui e pizzas lá, o PSDB de Serra vai angariando, pacientemente, o fôlego que precisa para 2010. Este quadro já está delineado. O Rio Grande do Sul, por sua vez, vai agonizar meses, enquanto as investigações estaduais caminharem entre promissores bate-bocas. Já ficou claro nas estratégias do PT que suas chances aumentam muito com a bancarrota do PSDB. Yeda, desacredita aqui, poderia comprometer Serra lá. Simples, ainda que neguem peremptoriamente, esta possibilidade.
Segundo o PT gaúcho, tudo estará sendo feito em busca da transparência e da verdade. Já, em âmbito nacional, o PT não parece muito preocupado em buscar a mesma transparência e verdades que, certamente, não acompanham o agora anistiado José Sarney.
E aí fica a pergunta: Quais os caminhos do PT?
Os dinossauros da informática
Minha relação com o mundo da informática começou em 1974 ao ingressar numa empresa de poupança e empréstimo que pretendia manter “on line” todas as agências do grupo em três estados. Este tarefa seria, naqueles tempos, um desafio técnico de complexidade digna de “2001, uma odisséia no espaço”.
O primeiro computador era algo do tamanho de umas 3 geladeiras enfileiradas, montado numa sala especial, tremendamente fria, onde um fundo falso canalizava ar refrigerado para o interior daquelas CPUs. Era o /3 da IBM. Depois, numa evolução digna de respeito, era lançado o IBM145, que apesar do tamanho, representava um salto de qualidade e rapidez de processamento impressionante (para a época).
A evolução da tecnologia não tinha a velocidade estonteante dos dias atuais. Poucas empresas em Porto Alegre podiam se orgulhar de adquirir um IBM 145 ou 148, super computadores para os parâmetros dos anos 70.
O Grupo Habitasul, BERGS (hoje Banrisul) e CEEE vivam estes momentos da mais alta tecnologia.
Mas a relação com estas máquinas não tinha a conotação atual. Gigantescas equipes de trabalho se revezavam, nas 24 do dia, para manter aqueles dinossauros em funcionamento, e não era raro que, sob um determinado problema técnico, algum especialista viesse lá dos Estados Unidos, às pressas, para resolver o pepino. Naqueles anos o computador pessoal não seria imaginável, muito menos a miniaturização que nos é tão comum atualmente.
Em meados dos anos 80 começava a se falar em pequenos computadores que poderiam (que ousadia!) soterrar a grandiosidade dos grandes e majestosos IBM ou Borroughs que dominavam o mundo naquele período. Eu tinha um orgulho danado de ser uma das pessoas que tocavam aquele “trem” e achava esta idéia, dos pequenos computadores, um delírio do mais completo pirado.
Inexoravelmente o tempo passou. Chegaram os Amigas, TK85, TK 2000, e a coisa começou a nos dar a idéia de que a informática sofreria mudanças violentas. O esperado aconteceu, mas nem sequer poderíamos sonhar com uma coisa chamada Internet. Isso era coisa de pura ficção.
O cinema rodava “laranja mecânica”, um atentado aos padrões morais daqueles anos.
Mas a ficção chegou numa velocidade apavorante, e ainda nesta semana foram comemorados os 20 anos da primeira página publicada na internet. O autor do projeto definia o conceito dessa idéia como “vaga, mas absolutamente excitante”.
De lá para cá, já não é possível imaginar que, durante algum tempo, as pessoas não dependiam do e-mail, do computador e muito menos da própria internet. Também já não é possível lembrar os detalhes e sofrimentos das primeiras conexões feitas por discadores telefônicos do tamanho de uma caixa de maçãs. Claro que a internet discada ainda existe, mas nos primórdios da rede, isto era algo da mais absurda complexidade.
Pois lá se vão 20 anos da primeira http://.
Hoje, o www e a @ fazem parte de nossas vidas com a mesma naturalidade de um cafezinho. Queremos máquinas velozes, confiáveis e conectividade instantânea. Quanto menores, melhor. Todos os paradigmas do passado foram desmantelados, um a um, pela capacidade da miniaturização e poderosos processadores menores do que um chiclete.
E o mundo nunca mais foi o mesmo. Laranja mecânica até pode passar na sessão da tarde, mas já está fora de moda.
Aqueles que viveram estes tempos também não são mais os mesmos. Não é saudosismo. É fato!
Por vezes me sinto como um dinossauro sobrevivente aos difíceis tempos dos primórdios da tecnologia, tão fóssil quanto o esqueleto (se ainda existir) de um velho IBM /3, cujas fotos não achei na Internet (pode?).
Esta era uma sala ocupada por um IBM145. O setor preto da foto mostra
o módulo de inicialização do computador. Não exisitia o conceito do mouse.
Os comandos eram fornecidos em linhas de comando digitadas no console
parecido com uma máquina de escrever. Para ligar a CPU era preciso digitar um longo processo
de instruções chamado de IPL (Initial Program Load). As unidades de fita eram muito utilizadas,
assim como os cartões perfurados que continham informações para os processamentos
dos dados de clientes.
A Justiça e o barulho das CPIs
A Justiça de Santa Maria determinou que a continuidade das investigações sobre as eventuais irregularidades nos altos escalões do governo do Estado não exige o afastamento imediato da governadora Yeda Crusius. Muitos não devem ter gostado desta decisão, até porque, o maior objetivo da propalada baderna no governo do Rio Grande do Sul era exatamente a bancarrota pessoal da governadora. Se todos os gaúchos entendessem dos meandros da Lei e dos interesses sucessórios, o assunto poderia estar sendo tratado sob outra ótica.
Muitos acreditam que tudo tem um único e grande objetivo: o extermínio do PSDB no Rio Grande do Sul. A coisa vai longe.
Fiz um pequeno cálculo, por curiosidade: afirmam existir mais de 20 mil gravações dos possíveis envolvidos nos escândalos gaúchos. A ser verdadeiro este número, e imaginando-se 3 minutos por ligação, teríamos 100 horas de gravação. Quantos dias de trabalho para decupar e interpretar o conteúdo destas gravaçõs? Muito, muito tempo mesmo!
Sob qualquer aspecto, o processo será demorado, cansativo e desgastante para todos os participantes deste cenário. Claro que pelo plano político alguém pode estar querendo obter alguma vantagem imediata. Óbvio que para os olhos de alguns, a governadora já esteja sentenciada. A imagem institucional do governo estadual sofre danos volumosos. Prigosas precipitações.
Entretanto, nas sombras que circundam o palácio Piratini, os mais atinados vislumbram jogos políticos poderosos. Uma queda de braço entre quem é, e quem pretende ser o sucessor do trono gaúcho.
Na medida em que as investigações evoluírem, nós, os eleitores, começaremos a ter o semblante maior destes interesses. Tudo terá que ficar às claras antes de outubro de 2010. Mais uma vez a roda da sorte, ou da intriga, vai fazer seus lances. Se a máxima popular diz que “rei morto, rei posto”, também é verdade que muitos daqueles que cochicham discretamente tenham que tomar uma posição e firmar atitude, expondo-se ao crivo de um grande colégio eleitoral.
Não devemos ter tantas ilusões sobre quem seriam os bons e os maus nesta história que ainda esperneia sob o poncho das incertezas. Quando tudo terminar, a vida terá continuado seus caminhos, e todos nós continuaremos sendo responsáveis pela respeitabilidade daqueles a quem elegemos para defender nossos interesses.
O inaceitável é a possibilidade da militância partidária sentenciar qualquer dessas pessoas por antecipação. Todos tem direito a uma ampla defesa, mesmo aqueles a quem a justiça finalmente apontar. Mais inaceitável ainda é imaginar que a política possa ter anjos justiceiros que cheguem para resgatar a honra e dignidade do povo.
O grande perigo destas atitudes intempestivas é a real possibilidade do feitiço acabar virando contra o próprio feiticeiro.
Esperemos para ver! Eu prefiro mais agilidade para a Justiça e menos bate boca em CPIs escandalosas.
O ausente
Ainda nesta semana um dos vereadores locais afirmou que, no mundo da política, “ainda não viu tudo”. Verdade.
Acredito que na política atual, onde crises de moralidade já se tornaram banais, é impossível acreditar que já se viu de tudo. Pelo menos eles, os políticos, conseguem ter a criatividade de renomados novelistas. E viva o Brasil.
Aqui mesmo na Capital das Praias aconteceu um fato inusitado e, com certeza, capaz de surpreender toda a classe política local.
Foi num evento do PRB do litoral norte. O PRB ocupa o noticiário brasileiro nem tanto por suas realizações políticas, e sim pela luta do vice-presidente José Alencar contra um câncer que já lhe causou várias cirurgias. Um homem digno que demonstra seriedade e uma denotada alegria de viver. Enfim, o PRB local, hoje com representação no Legislativo, através do vereador Luiz Paulo Cardoso, organizou e levou a cabo um encontro interno que lotou o Plenário da Câmara Municipal. Um momento importante para o partido, principalmente aqui nestas plagas litorâneas.
A ética e cortesia andaram de mãos dadas neste evento que recebeu comitivas de outras agremiações partidárias, contando inclusive com a visita oficial do prefeito de Tramandaí, Anderson Hoffmeister (PP), num claro sinal de convivência pacífica e respeitosa com o PRB. Todos confirmam: uma verdadeira festa de democracia.
O interessante é que a presidência regional do PRB foi a ausência sentida e comentada neste encontro. Logo o presidente. Não serei eu a julgar o peso desta decisão, mas não acredito que militantes e simpatizantes da sigla tenham se sentido bem nesta situação.
Como disse o vereador local, “ainda não vi tudo”, mas este episódio apenas confirma os desacertos de determinadas estratégias políticas que garantem, pelo exemplo, a absoluta falta de interesse de alguns políticos pela coletividade de que tanto necessitam na hora do voto. Normalmente são estes mesmos os que acabam provocando as mais inusitadas cenas nos bastidores políticos tupiniquins.
Claro que o PRB sobreviverá a esta imperdoável gafe de um executivo do partido, mas parece claro que o encontro não traria nenhum benefício à figura ausente. Apesar da surpresa, o fato pode demonstrar que a “persona” em questão já esteja pensando em migrar para outra sigla, coisa que pode acabar sendo proveitosa para o próprio PRB. Logo teremos esta confirmação.
Por essas e outras é que a política nacional anda tão em baixa. E é por isto mesmo que a população, o eleitor, deveria estar sempre atento a estes pequenos movimentos que acabam entregando os verdadeiros interesses de alguns políticos que não merecem ocupar lugar de destaque em qualquer escalão dos bastidores da política local, estadual ou nacional.
Como o fato é passado, e as pessoas esquecem, logo teremos a oportunidade de ver esta caricata figura bradando sua ligação inabalável com o “povo”, suplicando votos que lhe permitam permanecer na luta em prol dos interesses da comunidade. A fórmula é quase infalível, pois alguns tolos sempre acreditam nestas promessas de cordel.
O PRB merece o mesmo respeito dado a qualquer outra bandeira política, mas não merecia ter, em sua liderança local, alguém tão aquém dos interesses e da responsabilidade que o cargo exige. Realmente, ainda não vi tudo, mas esta "eu vi"!
Caminhos da civilização
Cada um de nós tem uma visão singular do mundo e, obviamente, seus problemas.
Crises comerciais não são totalmente desconhecidas da humanidade, mas o cotidiano da sobrevivência nos faz esquecer da lições do passado. Pois bem, todos dizem que a crise atual é, de longe, maior do que a grande quebradeira de 1929, nos Estados Unidos, coisa que agravou as relações comerciais entre os ianques e japoneses. Pois o inferno das guerras modernas acabou sendo selado pelo ataque a Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941. E os nipônicos bradaram seu grito de guerra: TORA, TORA, TORA!
Em 1945, Hiroshima e Nagasaki pagaram o preço da "infâmia", como disse certa vez o presidente Roosevelt.
Podemos pensar que nada daquilo tem a ver com a atual realidade?
Não podemos afirmar que a atual crise poderia ser a causadora de novos conflitos bélicos, mas também não podemos negar que as diferenças entre ricos e pobres acabou determinando quem era Bush e quem era Osama Bin Laden. Contundente e às vezes chato, mas a história sempre se repete, e repete seus imbecís.
A diferença atual reside apenas na velocidade com que as informações são propagadas, e claro, com a América Latina se arvorando a fazer parte deste intrincado jogo de interesses. Claro que, para piorar o quadro em tempos de aquecimento global, a nossa Amazônia é fator preponderante de algumas negociações e, de quebra, outros tantos interesses. Considere-se que a Amazônia continue sendo nossa, já que alguns internacionalistas repudiam a idéia. Polêmicas à parte, as sequelas do desmatamento vão nos cobrar um preço alto no futuro.
E os madeireiros bradam seus gritos de ganância: MADEIRA, MADEIRA, MADEIRA!
Falando em futuro e ganância, os mesmos americanos que não assinaram o Tratado de Kioto, resolveram diminuir drasticamente os índices de poluição até o ano de 2050, selando um belo compromisso a "perder de vista", que logo será esquecido.
Agora, parando para pensar: será que poderemos continuar neste ritmo até 2050 e achar que vamos sair "ilesos" desta aventura?
Eu não estarei aqui para ver, mas tenho a sensação de que, eventualmente, ninguém mais possa estar aqui para testemunhar.
Claro, sempre teremos a estação orbital ISS. Esta poderá ser a última testemunha ocular dos nossos desacertos, ganâncias e teimosias.
O resto é apenas "marolinha" .