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Os irresponsáveis, os inúteis e o Legislativo

Estamos nos aproximando de mais um período eleitoral, e a comunidade reclama que o aumento de nove para treze membros no Legislativo seria um desperdício do dinheiro público, gerando mais despesa. Em primeiro lugar, o aumento não significa maiores despesas já que o orçamento anual do Legislativo representa um percentual da arrecadação do município. Continuar com nove vereadores ou treze não muda em nada esta realidade.
A segunda reclamação da coletividade refere a falta de fiscalização dos vereadores e a sua conseqüente inutilidade. Para alguns, vereadores devem andar trepados em postes verificando o estado das lâmpadas. Aqui começam os problemas dos eleitores que não conhecem o funcionamento dos poderes políticos. Vereadores estão ligados ao Poder Legislativo, exatamente aquele que tem o poder de criar leis que devem ser cumpridas pelo Poder Executivo.
A única fiscalização competente aos vereadores é o exato cumprimento das leis homologadas no município.
O cuidado com a iluminação pública, bocas-de-lobo e lixo, são de competência de alguma secretaria municipal. É preciso compreender estes fatos. Outra reclamação dos eleitores é que os vereadores não geram empregos ou renda, portanto são inúteis. Ora, o Poder Legislativo não pode legislar matérias que gerem despesas ao Executivo, pelo simples fato de que não é o Legislativo o administrador das finanças do município. Em última instância, os vereadores deveriam estar preocupados com o ato de legislar e conferir a atuação do Executivo neste aspecto.
O grande, e maior problema, normalmente não discutido, é que os candidatos à vereança normalmente não têm a menor noção do que farão quando eleitos, promovendo atuações pífias, ridículas e desabonadoras à instituição. Prometem empregos, melhoria na infra-estrutura municipal, como segurança e saúde. Em suma, não sabem do que estão falando e, alguns em especial, nunca aprendem a função que vão exercer.
No momento em que a comunidade elege o amigo do amigo, o vizinho simpático, ou acredita em promessas descabidas, fecha-se o ciclo de ineficácia que é o maior estigma da classe política. O que se vê, em decorrência destas insuficiências é a avalanche de projetos de lei oriundo do Poder Executivo, este sim comprometido com a governabilidade e o cumprimento de necessidades legais que regem a administração pública.
Temos vereadores em Tramandaí que nunca, ao longo de um mandato, ousaram abrir a boca para discutir um projeto. São os concordinos que tudo aceitam e tudo calam. Outros, de escolaridade duvidosa, agem como se o cargo fosse vitalício, ostentado a empáfia de grandes líderes aos quais à comunidade deverá sempre um entusiasta agradecimento.
Enquanto esta seleção continuar assim, será difícil legislar prioridades, contestar o Executivo em seus eventuais desmandos, e contribuir efetivamente para os interesses da comunidade. Alguns vereadores parecem chaveirinhos do prefeito, e isto vale para a maioria das cidades interioranas, principalmente no litoral.
Portanto, eleitores, o problema não é o Legislativo e seu orçamento anual. Da mesma forma, o problema não está na quantidade de vereadores. O maior problema da comunidade, o seu verdadeiro calcanhar de Aquiles, é a má escolha de seus representantes, exatamente quando você, eleitor, não demonstra qualquer preocupação com o futuro da sua rua, seu bairro e sua cidade. Enquanto este descaso perdurar, as reclamações serão as mesmas: o alto salário dos inúteis e o mau estado e má aparência da cidade.
Seja consciente e não transfira aos outros a grande parcela de responsabilidade que, no momento de escolha, é só sua.

Carlos Menezes




Das ditaduras e revoluções
As revoluções são sempre assim: nunca são para o povo, mas para aqueles que se revoltaram contra os privilégios que não tinham. No poder, os revolucionários de antanho sempre se tornam tudo aquilo que nunca quiseram ser, ou diziam combater. Incólumes como as árvores, desfrutam do sol da liberdade, enquanto que a sua sombra atrofia a tudo que está a sua volta. Assim se repete a história da Humanidade, em anos e anos de enganos, atrocidades e equívocos.
O que era para ser um processo, um meio, torna-se um fim, mudando apenas o lado que passa a assumir o poder, a ditar as normas, se valendo das mesmas estratégias, ferramentas e processos que combateram. Seja na América Latina, no Oriente Médio ou na Ásia; nos séculos I, X ou XXI; antes ou depois de Cristo; os métodos são sempre os mesmos, mas as culturas e os povos, diferentes. Assim foi, assim é, enquanto que as minorias organizadas, dominam as grandes maiorias desorganizadas. As ditaduras são filhas bastardas das revoluções.
Sedutoras, embaladas por grandes manifestações e até mesmo fabricadas, as revoluções, uma vez vitoriosas, ignoram todo o processo que as levaram ao poder, deixando de ser uma opção para se intitular como solução. Qualquer idéia contrária aos ideais revolucionários passa a ser de oposição, o que justifica perseguições, prisões e até tortura.
As revoluções são em seu princípio natural o oposto às ditaduras. Elas são a resposta de povos inteiros contra os desmandos de governos que ignoram o barulho das ruas, os anseios de uma sociedade. Elas deveriam ser o início de uma nova era, um caminhar constante para frente e não um retroceder na história. Ser o coroamento de novos valores, a instituição de uma nova forma de governo, uma nova relação, mais direta e próxima, nascida entre as ruas e os gabinetes oficiais. No entanto, uma justifica e legitima sempre a face oculta da outra.
Convêm às grandes democracias as pequenas ditaduras, que subjugam seu povo em rentáveis acordos comerciais. O que os países democráticos não podem fazer com seu povo, fazem com outros, contanto com uma mão aliada para empunhar as armas. Por isso o silêncio cúmplice paira sobre o mundo ocidental, que mapeou o planeta e separou algumas áreas estratégicas.
Vizinhos, Líbia e Egito dividem a mesma pobreza de seu povo, diante do império amealhado por seus governantes durante anos de exploração e ditadura. Sem liberdade e privados de usufruir das riquezas naturais que existem em seus países, nações inteiras vivem como se estivessem em tempos bíblicos, como se vivessem em um mundo paralelo.
Enquanto isso, seus líderes, que deveriam primar pelo bem estar de seu povo, ostentam mundo afora seu oásis de riqueza, diante de um deserto de pobreza e submissão. Só mesmo uma ditadura para justificar o deserto que separa a vida de egípcios e líbios da de seus governantes.

Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor


O novo e a tradição
Longe de Minas e das boas tradições mineiras, a presidente Dilma Rousseff segue a rotina que revela o mais profundo ensinamento de seu estado natal: trabalhar em silêncio! Em seu primeiro mês de governo, constatamos a mudança de foco na gestão presidencial, passando da origem das greves barulhentas para o anonimato das ações e planos clandestinos. Na condução de seu país, cada presidente revela a sua origem, sua formação, desde a Velha República até os dias de hoje.
Em Dilma Rousseff duas escolas políticas se encontram. A boa convivência mineira e o determinismo sulista. Uma a temperança; outra, tempestuosa. É, verdadeiramente, uma boa fusão. Nos dois casos, encontramos o nacionalismo em Artur Bernardes e Getúlio Vargas. Identificamos traços em seu discurso dessa conduta política.
Gerente, com modos de exigente, muito se espera da presidente, sob o olhar atento de toda a nação, com a fria análise de uma visão feminina. É preciso arrumar a casa, colocar as contas em dia, programar as viagens, levar os meninos para as escolas, marcar o médico, cuidar do jardim, limpar o quintal, conferir a faxina, separar o lixo, economizar na conta de água, luz e telefone, chamar o bombeiro e cuidar do futuro do país. Ser uma grande mãe, depois de decaídos pais.
O povo brasileiro quer sempre abraçar, agradecer, festejar. A presidente não pode errar, pois pesa sobre ela o preconceito esquecido no congelador, depois de uma generosidade imensa, que precisa ser correspondida. Lula quebrou o ranço que se nutria contra os que não foram ungidos, contra os que emergiram nos duros processos democráticos. Dilma terá que consolidar isso, pois seu sucesso é a consagração de um processo inédito no Brasil republicano.
A soberania de um país é uma postura que vem de dentro para fora. Primeiro a soberania da gestão, dos cargos públicos, da política financeira, dos investimentos sociais, da relação entre os poderes, do determinismo político, da mentalidade de governo e da visão de um país e de mundo. Depois, a independência nas escolhas internas e externas, da autodeterminação encarnada.
Até bem pouco tempo, essa conduta era impensável para o Brasil, o que foi fruto de anos e anos de controle externo, espoliações e submissão. Iniciamos um processo austero, mais condizente com nossa grandeza frente ao mundo, construindo uma respeitosa relação com o resto do planeta. Isso tudo reflete em nossa economia, na credibilidade internacional, no credenciamento de uma nação que progride e se desenvolve e, principalmente, na valorização de seu povo.
Atentos e serenos, acompanhamos os primeiros dias de um novo governo. Nos bastidores, as velhas disputas não por cargos, mas sim por comissões, como um problema que precisa ser enfrentado e extinguido, dentro de uma antiga prática que conhecemos como fisiologismo. O Brasil não suporta mais isso. É preciso interromper esses processos viciosos, que fazem nosso país e nossa política menores e piores.
O novo não é apenas pelo começo. Só por isso, seria mais seguro a continuidade. Ele é mais por uma nova postura, um novo olhar, uma nova mentalidade. E é esse novo que se assenta sobre a imagem da primeira presidenta eleita do Brasil. É esse novo que mais de 190 milhões de almas brasileiras esperam.
Petrônio Souza Gonçalves jornalista e escritor


O FURO
Sou imperceptível nas letras, apesar de minha altura, queria ser um Veríssimo, Scliar, Sant’Ana ou quem sabe um David Coimbra, mas ainda sou pequeno como um infinitésimo furo.
Não um furo de uma denúncia de dinheiro na cueca, pois isto é coisa que acontece todos os dias, e nem um repórter vibraria com a informação. Este furo de reportagem, já não faz mais alegria de jornalista, muito menos do leitor.
Tão pouco um dente furado, incomodando durante a madrugada, comprimido analgésico ou algodão molhado no álcool, para aliviar a dor e a impossibilidade de dormir, “como pode um furinho destes doer tanto”.
Talvez um queixo com furinho daquele galã de novela, alegria de uma balzaquiana que já leu na revista dos artistas dizerem: “que um queixo largo e ao mesmo tempo quadrado significa sinal de força de vontade e energia, já num queixo para dentro indica inconstância e insegurança”. E os que não têm furo no queixo? Por favor, aguardem o próximo numero.
Com certeza na busca da liberdade, por um bendito furo no teto da cela, em uma prisão deste país, trinta presos fugiram escafederam-se. Segundo a informação do zeloso delegado, a superlotação é o principal motivo da fuga, pois o furo estava oculto.
É na boa notícia divulgada, pelos cientistas da Universidade de Cambridge, que chegaram à conclusão que a espessura da camada de ozônio sobre a Antártida se recuperará até 2080, voltando aos níveis que tinha em 1950, com certeza não verei, pois estarei noutro furo, digo buraco.
Mas o que chama a atenção de nós incautos transeuntes desta cidade, são as barriguinhas lisinhas das adolescentes e as não tão lisinhas de suas mães quarentonas, pelo fascínio furos dos piercing.
Felizmente encontrei na poesia de Carlos Drummond de Andrade: “No meio do caminho”, que não tinha uma pedra, mas dois buracos e um incêndio em uma sala comercial no sábado à tarde, que foi debelado graças à pronta ação dos bombeiros e de dois funcionários de uma ferragem que consertaram os furos da mangueira. Enquanto isso o tempo passa e vou escrevendo, contando as coisas que vejo e tentando dar a elas as mesmas vibrações de um verdadeiro cronista.
Ronaldo Sindermann - Advogado


Responsabilidade de quem?
Não gostaria de me alongar sobre o assunto, pois não tenho maiores informações (aliás ninguém tem), mas faço uma reflexão de quem já acompanhou vários destes eventos.  Causa-me muita estranheza que a cada momento que surgem vestígios de óleo na orla marítima, a Transpetro se apressa em dizer que não é ela. Talvez seja fruto de algum disco voador que, pairando sobre o litoral, faz derramar alguns litros de produtos que, por coincidência, só a Transpetro e suas contratadas manipulam ao nível do mar. Bem, estes vestígios podem ter origem de algum navio, dizem!
Mas o navio esta em nossa costa, por quê?
A serviço de quem?
Até aonde vai a responsabilidade de uma empresa deste porte?
Porque ( e para quê ) a Empresa possui um plano de contingenciamento?
Aliás, os royalties são pagos também por isso. Num mundo moderno todos têm responsabilidade, não só sobre as nossas atividades diretas, mas aquelas que locamos, contratamos ou mesmo terceirizamos.
Assim, antes de se apressar em dizer que não fui eu, acredito que nossa maior empresa, uma das maiores do mundo e um orgulho nacional, deveria se postar solidariamente a comunidade e, com sua espetacular estrutura e capacidade profissional, auxiliar nas investigações para determinar as razões do evento.
Só assim realmente estaríamos regulando e fiscalizando as atividades em nossa costa e evitando, ou pelo menos minimizando, a possibilidade de eventos desta natureza.
Geólogo Milton Haack

Oba! Dia do Sexo!
Alguns dos nossos nobres deputados federais têm se especializado em criar verdadeiras pérolas demagógicas e populistas na busca do voto do despreocupado eleitor que é incapaz de perceber a realidade por trás da brilhante atuação artística. Neste verdadeiro circo legislativo circulam inúteis e esdrúxulos Projetos de Lei que chamam a atenção, como por exemplo: O que obriga a Aeronáutica a contar tudo o que sabe sobre extraterrestres, o que proíbe bichos de estimação receba nome de gente ou ainda a criação da semana nacional do feijão e arroz e no título de capital nacional do boné para a cidade de Apucarana no Paraná.
A verdade é que são políticos sem preparo para o exercício da atividade pública, sem noção plena dos reais problemas enfrentados pela população nas áreas da saúde, emprego, segurança e educação. E que tem se notabilizado pela apresentação de projetos de reconhecida inutilidade sem noção do ridículo em levar aquela casa que tem como responsabilidade de representar o povo, elaborar leis e fiscalizar a aplicação do dinheiro público.
Exemplo maior vem do Projeto de Lei do caricato Deputado Edgar Mão Branca que recebe como os outros o valor de R$ 16 mil reais de salário e que custa para nós contribuintes R$ 100 mil reais por mês para ter a brilhante idéia em propor que o dia 14 de janeiro passe a ser o Dia Nacional do Sexo, o que no entendimento do douto conhecedor da matéria, a questão sexual tem sido tratada de forma distorcida, “como uma mercadoria suja” colocada de maneira pejorativa em musicas, comerciais ou em programas de televisão como o big brother estando atrelado somente ao prazer e ao comércio. E que este grande dia dedicado ao sexo reine a mais profunda reflexão.
Nós eleitores não podemos mais pactuar com as sinescuras de certos políticos que a cada eleição relêem as mesmas promessas sem resolvê-las e preciso exigir uma legislação que defina a perda de mandato por incompetência, falta de produtividade e assiduidade, pois definitivamente o Legislativo Federal perdeu a vergonha.

Ronaldo Sindermann - Advogado



Trânsito caótico
Não entendo porquê o transito, mais específicamente na Fernandes Bastos não é melhorado! Já sugerí várias vezes a mudança de saída das escolas com o fim de otimizar o transito e aumentar a segurança das crianças e adolescentes da Escola Pastor Domhs e Alm. Tamandaré. A Pastor Domhs pode simplesmente mudar a saída da escola para a rua Saldanha da Gama sem nenhuma despesa e deixar a parte da frente da escola na Fernandes Bastos para assuntos administrativos. A Escola Tamandaré pode também simplesmente mudar a saida da escola para a rua João Pessôa com o mínimo de despesa. Basta que os pais dos alunos se mobilizem para essas mudanças. Muitos acidentes já ocorreram na fernandes bastos em frente essas escolas. Vai ser preciso que uma criança morra nesse local para se tomar uma providência? Os pais e as escolas estão sendo omissos. E as crianças correndo perigo. Tenho certeza de que a prefeitura aprovaria essas mudanças. Será que as escolas não tem interesse em aumentar a segurança de seus alunos?

José Antonio Rodrigues
CONSEPRO Centro - Tramandaí


Depois do carnaval
Os mais humildes fazem o maior espetáculo da nação. Nada mais brasileiro, nada mais representativo que isso em nosso país. Colorida crônica de nosso múltiplo e generoso povo.
As comunidades carentes do Rio, depois de maquiadas e fantasiadas, podem descer o morro e conquistar a avenida, trazendo seu samba, seu deboche, sua dança. A permissão de acesso tem data e hora marcada, pois sua imagem vai entrar nas casas, no seio da família brasileira, ganhar o mundo, revelando o país que não existe.
É impressionante a capacidade de motivação que eles têm para se organizar e realizar um dos mais belos espetáculos do planeta. Fico imaginando se essa capacidade mobilizadora fosse usada para mudar a realizada social, cultural e física de suas comunidades. Ao contrário de realizar um espetáculo pueril, realizar um monumento perene à beleza e à superação, fazendo de suas vidas um eterno espetáculo, transformando suas vielas em iluminadas passarelas, seus morros na comissão de frente dos atrativos de uma cidade que já é maravilhosa. Da vida de seu povo, o destaque daqueles que um dia foram relegados ao total esquecimento social, cultural e político. Da educação e cultura de seus filhos, a porta-bandeira dos passos futuros.
A avenida não deveria ser tão distante, deveria ser a casa, a rua, a cidade de cada um. No entanto, eles fazem fora o que não têm dentro. Levam para a rua, o que não trazem para dentro de suas comunidades, de suas casas. Para justificar tudo isso, inventam personagens, confeccionam formas, como se fosse um prolongamento de seus próprios sonhos, de suas vidas. Ao fundo, o balanço de um samba falando de belezas, de sonhos, de feitos heróicos, dando um terceiro significado ao que não se vive plenamente. Tudo é tão significativo...
Enquanto batucamos nossa alegria na avenida, o estrangeiro - de camarote - desfruta nossa forjada beleza, apreciando a realidade que não vivemos, o luxo que não temos, a pobreza podre escamoteada por todos nós no dia a dia. É isso, o bloco dos garis, perfeita alusão aos dias da nababesca festa. Tudo ofertado em bandejas de ouro e prata, como sempre foi.
Nesta pujante e passageira “epidemia chamada carnaval”, todos se tocam, todos se beijam, como se fosse a última vez. É a febre da festa anunciada, uma grande fantasia com um doce gosto de ressaca.
Tudo é tão pequeno que pode chegar, no máximo, a uma sonora nota 10 e nada além disso. E, no dia seguinte, a fantasia jogada na sarjeta, esquecida, como algo que não tem nome, que não tem valor, como algo que ficou sem vida, como uma maquiagem caída, deformada pelo suor do tempo e da história. A vida vai longe... nós não, estamos presos aqui!

Petrônio Souza Gonçalves é escritor e jornalista
www.petroniosouzagoncalves.blogspot.com


No país dos vãos senhores
É de se lamentar o processo político no Brasil. O primeiro mandato é exercido para solucionar problemas e apresentar soluções, mas sim para arquitetar a vitória nas próximas eleições. No poder, os conchavos são ampliados, consolidados, sempre visando as obras que poderão gerar um bom caixa dois. No plenário, ouvindo o irresistível canto da sereia das verbas institucionais, o que era oposição passa a ser alugado, com silenciosos mensalões, cuecões e mensalinhos. Tudo, uma canalha só, nunca pensando em um fim, mas, sempre, em um meio.
Na esfera municipal, estadual ou federal, é sempre assim, como uma realidade que se repete nos grandes centros e nos mais distantes grotões. Em Brasília ou Rondônia, a vergonha é nacional. Não é a política que liberta, mas sim, que aprisiona. Tudo isso, levemente encenado pelo Bolsa Família, quando se vê a ineficiência do poder público em prover o bem social e o bem estar do povo, cumprindo dignamente o seu papel, como determina a Constituição.
Agora estão todos dizendo que vão manter o Bolsa Família, como se não fizesse parte dos planos do próximo governo acabar com a fome no interior do Brasil, a falta de emprego, de educação, de vida digna para a população brasileira. Não é a política que liberta que está em questão, mas aquela que aprisiona, que faz do mais simples brasileiro dependente de uma forma equivocada de governo.
Em pauta, a já ultrajada e ultrapassada estratégia do pão e circo, tão velha quanto nova para aqueles que vivem como a alguns séculos atrás. E alguns poucos se vangloriam de sua limitação administrativa, de sua ineficiência social. Manter a pobreza é manter o voto, viciado e vicioso, assegurando os repetitivos mandatos, em um sucessivo e criminoso processo eleitoral. Jogo de cartas clonadas, coisa de submundo, de subpolítica, de país periférico.
Para erradicar a fome e a seca no nordeste se ouve nada. Nenhum projeto, nenhuma política pública. Para acabar com o analfabetismo, nada. O desemprego, também. Mas a certeza de que o nordestino que vive na seca está domesticado por uma cesta básica mensal está garantida, é prioridade. Que inversão de valores. Não é a política voltada para o bem do cidadão que interessa, mas a manutenção do governo desse ou daquele grupo que importa.
O pior é que essa constatação não entrará em campo na próxima eleição. Está tudo tão reduzido, tão limitado, tão empobrecido, tão rasteiro que o debate será em relação a este grupo de governo ou aquele. Os feitos de um, versos os feitos de outro. Que inércia. Que falta de perspectivas. Que pobreza ideológica. Escolheremos assim, o menos pior. Que retrocesso...
Gigantesco pela própria natureza, o Brasil padece na pobreza medíocre de seus homens. Esses que são fascinados pelo poder, pelo palanque, acreditando serem deuses. Assim vão eles, falsos profetas servindo sempre a dois senhores.

Petrônio Souza Gonçalves é escritor e jornalista
www.petroniosouzagoncalves.blogspot.com

Não sou professor, sou aluno!
Fiquei chocado com que li de um articulista cientificamente preparado, mas sob minha ótica um retrógado como professor, pois proclama que nunca aprendeu nada com alunos: “Não. Alunos nunca me ensinaram nada. Absolutamente nada!”, e os professores que profetizam terem aprendido alguma coisa com alunos foram tachados de infantis mentalmente, inimputáveis, impublicáveis e de ignorantes convictos.
Felizmente, nos dias de hoje este tipo de professor esta desaparecendo das salas de aula, dando lugar ao profissional que respeita o saber e o conhecimento de seus alunos, cujas experiências são aproveitadas para discutir, formando pessoas pensantes, críticos e perceptivos de injustiças, ou seja, adultos de verdade.
Aprendi com meus mestres e muitas vezes com colegas ou colaboradores das instituições de ensino por onde estudei que ensinar é respeitar saberes, não se admitindo o individualismo ou professores inimigos de alunos, que não dão espaço ao diálogo e a interação, faltando com respeito com aqueles que estão na busca do saber.
Neste sentido o emérito professor Moacir Gadatti em sua obra Educação e Poder, chega ao o âmago da questão de maneira clara para o leitor: “O educador deve por em prática o diálogo, não deve colocar-se na posição de detentor do saber, deve antes, colocar-se na posição de quem não sabe tudo, reconhecendo que mesmo um analfabeto é portador do conhecimento mais importante: o da vida”.
Assim, entendo que cada vez mais o professor tem o dever de ser artífice da compreensão, transformador de informações e aprendiz nos conhecimentos dos seus alunos. Pois desta forte relação às interações que são muitas vezes diárias, onde cada um á sua maneira contribui, recebendo o apoio necessário do outro para se desenvolver e aprender, fortalecendo os laços de amizade e lealdade no progresso pessoal de ambos.
Uma prova disso é a boa lembrança que guardo da figura dos meus mestres, como muitos de vocês com certeza guardam.
Constantino, Maria Eunice, Simone, Cardona, Dilamar, Antoninho, Dileta, Mainar, entre tantos, obrigado.
Sem vocês eu nada seria.
Ronaldo Sindermann - Advogado
sindermann@terra.com.br


A Lei da galinha
Carregar galinhas penduradas com a cabeça para baixo é proibido na cidade de Divinópolis, interior de Minas Gerais, por uma lei há mais de 40 anos, que esta sendo excluída do Código Municipal pelos vereadores daquele município com mais cinco mil leis em desuso que perderam a sua validade.
Mas não é só em Divinópolis que acontece a criação de leis esdrúxulas sem eficácia como em todos os municípios do nosso país e não menos na capital de nosso Estado que também não poderia ficar de fora, como exemplo aquela lei que obriga o executivo implantar placas de sinalização indicativas de rotas alternativas em casos de alagamentos nas vias públicas de nossa cidade.
Claro que a intenção dos senhores vereadores em 1999 foi boa, pois buscavam a segurança dos motoristas nos dias de chuva.
 E o que dizer da lei 8840 de 2001(P.Alegre) que torna obrigatório o recolhimento dos resíduos fecais de animais conduzidos nos espaços públicos pelos seus condutores, grande lei se fosse cumprida, pois educaríamos os proprietários dos cães e os condutores das carroças ou seriam obrigados a pagar a multa prevista. Alguém viu algum proprietário de carroça ou cachorro ser multado?
As infelizes leis citadas são apenas duas de outras tantas leis ineficazes. Porque não foi orientada a sua operacionalização por parte do poder municipal.
O contribuinte pago caro para ter vereadores que fiscalizem o executivo e legislem beneficiando a cidade e os que residem nela, não é com homenagens em sessões solenes ou leis que dão nome de logradouros públicos que teremos a cidadania plena. Boas leis às vezes são ocultadas, leis imprestáveis são aprovadas sem a interferência do povo. Com certeza é graças à ignorância das leis por parte de uma parcela da população que alguns políticos desonestos se perpetuam no poder.
Hoje, mais do que nunca, é necessário que a população observe e cobre de seu representante a seriedade e a competência com a coisa pública sendo que  através da consciência política o único caminho para exerceremos nossa cidadania.

Ronaldo Sindermann
sindermann@terra.com.br

Uma pátria de meias e patacas
O Brasil é mesmo a pátria do panetone. Tudo aqui é festivo, ocasional, furtivo. Nossos protestos menores, nossas mágoas maiores.
Tudo dura até o próximo verão, a próxima semana. Nunca, mais que a próxima eleição. Para conferir isso, basta lembrar que depois de renunciar ao mandato de senador, por ter violado o painel eletrônico do Senado, o intrépido José Roberto Arruda foi promovido - talvez pela evidência do pequeno delito - a governador de Brasília.
Na época de violador da democracia, ele foi achincalhado. Algumas eleições depois, condecorado, promovido, absolvido pelo próprio povo. Como no célebre poema de Augusto dos Anjos, “a mão que afaga, é a mesma que apedreja”. Isso é o Brasil, esta é a nossa tosca democracia, sustentada por um provincianismo primário, filha bastarda de nossa servil consciência cívica.
República de meias e patacas, de cuecões e gravatas, não vimos o amadurecimento dos Caras Pintadas, que guardaram suas fantasias após o primeiro carnaval. Tudo aqui é assim, teatral, banal, nunca original, como se o país fosse um eterno baile de carnaval. Para o movimento estudantil e os congressos universitários, os eternos piqueniques ideológicos, exercendo sua cota de democracia com a eleição desse ou daquele presidente da UNE, tão comprometido quanto alienado. Os protestos não são para mudar o país, para mudar nossa sociedade, mas sim para mudar a visão e o conceito que as pessoas têm sobre cada um de nós. Como somos desprovidos de civismo. Como pagamos caro por nossa tola e inocente consciência política.
Isso justifica nossa representação popular, desfilando seus fantasmas em plena luz do dia. Como podemos pensar em um novo país, em um Brasil melhor, tendo um congresso composto por homens do quilate de Paulo Maluf, de José Genoino, Jader Barbalho, Antônio Palocci, Fernando Collor, entre tantos outros, durante tantos anos de desmandos e prevaricações. Essa é a pátria dos mensalões e dos mensalinhos, uma nação bem mensalina, bem sem vergonha, que troca seu futuro, o seu voto, por uma cesta básica, por uma ajudinha. É o corrompido corrompendo o corruptor, coisas do nosso amado Brasil!
Sabendo bem como se faz greves e como se organiza protestos, o Brasil de Lula é um Brasil silenciado, domesticado, docilizado: dos movimentos sindicais à militância partidária; dos movimentos estudantis às Organizações Não Governamentais. Todos, por certo, registrando seu mensalão ideológico, sua verbinha providencial. É no Brasil da impunidade que a corrupção viceja, é no Brasil da passividade que os escândalos se repetem. Lamentavelmente!
A nossa democracia, o nosso parlamento, é mesmo uma festa à fantasia... Cada um interpretando um personagem, cada um nos aplicando uma trágica peça. Tem o que ama, o que protesta, o que ri. Tem também o mau e o cara de pau. E, no final, todos se banqueteiam e se coçam, em uma mesma festa.
Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor
www.petroniosouzagoncalves.blogspot.com

Planejamento é uma das principais habilidades que um empreendedor deve desenvolver.
Todo empreendedor tem seus sonhos, mas nem todos conseguem realizá-los. E por qual motivo? Falta de sorte? Destino? Ou, simplesmente falta de planejamento. Não poucas vezes isso ocorre por falta de um projeto que leve o empreendedor para a realização deste sonho.Com freqüência, encontramos pessoas que alegam não terem realizado os seus sonhos de um negócio próprio pela falta de recursos financeiros, e que os “bancos lhe emprestam o guarda-chuva nos dias ensolarados e o pegam de volta rapidamente nos dias de chuva”. Isso todos sabemos. Afinal, os bancos quase sempre são habitados por seres temerosos, e não poucas vezes, pessimistas crônicos.
 Pessoas otimistas tendem a ver oportunidades que se escondem nos problemas e em contrapartida os pessimistas vêem problemas nas oportunidades.Sem dúvida, ter dinheiro facilita a vida e os negócios, mas quem disse que a falta dele fecha a porta do sucesso e da realização dos sonhos?
 Já vivi o bastante para perceber que quase tudo que se faz com dinheiro se pode também fazer sem ele. Por quê? Porque onde há vontade há meios, pois o mundo conspira a favor dos que sabem onde querem chegar.Para indivíduos destituídos de vontade, a falta de recursos e os bancos, servem como “muros de lamentações”, comportamento típico de quem racionaliza e põe a culpa em terceiros para desta forma aliviar a pesada consciência do fracasso.
Vencedores assumem o comando das situações. Não contam apenas com a sorte ou com o destino, são pessoas que fazem acontecer, pois tem metas e objetivos e seu prazer é realizar. Reflita agora, em que grupo você vai escolher estar: no grupo dos que ficam olhando o que acontece, ou no que faz as coisas acontecerem.
Atitude é tudo!
Soeli de Oliveira é Consultora e Palestrante do Instituto Tecnológico de Negócios,
nas áreas de Varejo,Vendas, Motivação e Atendimento
- E-mail: soeli@sinos.net - Novo Hamburgo - RS

Quando o Menos é Mais nos Negócios  
Se você já tem ou está abrindo um negócio, uma vez escolhido o mercado a ser atendido, é hora de decidir qual a posição que sua empresa irá ocupar na mente dos consumidores. Posicionamento é o lugar que sua empresa ocupa na mente dos clientes em relação aos seus concorrentes. Para facilitar a tomada de decisão, os consumidores “posicionam” na mente os produtos e as empresas em categorias.
 Se os clientes não percebem a diferença da sua empresa em relação aos concorrentes, seu negócio terá dificuldades para crescer ou até mesmo para se manter no mercado, pois tanto faz comprar de uma ou de outra empresa. O posicionamento é como a personalidade de uma pessoa, se forma gradativamente, tanto pelo que ela faz, quanto pelo que ela deixa de fazer.
Para que o posicionamento de um negócio seja consistente devem ser tomados os seguintes cuidados:
1º. Definir claramente um público-alvo expecífico;
2º. Atuar de modo a conquistar a credibilidade e o reconhecimento junto a esses clientes;
3º. Ter disposição para experimentar novos produtos e aperfeiçoá-los a partir das sugestões dos usuários.
Dificilmente terá sucesso o empreendedor que ao montar as prateleiras do seu negócio próprio, não tiver definido quem serão os seus clientes. E, para definir os clientes é recomendável responder as seguintes perguntas:
1 - Quem comprará os seus produtos? Uma pessoa? Uma família? Uma empresa?
2- Por qual motivo os clientes compram seus produtos?
3 - Qual o perfil do cliente que comprará os produtos? Sexo? Faixa etária? Renda Mensal? Onde reside? Qual sua profissão?  Qual o seu lazer? O que assiste na TV? Que jornais e revistas ele lê?
4 - Quando compra os produtos? Diariamente? Mensalmente? Ocasionalmente?
5 - Como o cliente compra os produtos? Por impulso? Compra planejada? Compra sozinho? Consulta outras pessoas? Se sim, a quem consulta?
 O mercado-alvo é o grupo de consumidores que possuem necessidades e características em comum, comportamento de compra semelhante aos que você pretende atender. Conhecendo os consumidores e as suas necessidades, poderá atendê-los melhor que os concorrentes. Não tente adivinhar! Procure saber tudo o que puder sobre o seu mercado. Somente assim, sua empresa poderá se especializar no atendimento das demandas específicas de um determinado grupo de clientes, oferecendo produtos e serviços do seu gosto e interesse.  
Soeli de Oliveira é Consultora e Palestrante do Instituto Tecnológico de Negócios,
nas áreas de Varejo,Vendas, Motivação e Atendimento
- E-mail: soeli@sinos.net - Novo Hamburgo - RS

Democracia e conveniência
Como poderemos construir um novo Brasil tendo como líderes homens de duas caras, de muitas propostas e nenhuma certeza, homens que não têm a dimensão de seus cargos, que não sabem o que acontece à sua volta, homens que vivem de nenhuma verdade? Aqui, esse modelo de administração pública é admirado e até copiado, seja por partidos como o PSDB, seja pelo PT.
Antes de serem eleitos, em campanha, cada candidato sabe de tudo, tem respostas para tudo, soluções, sugestões, projetos, estudos e análises. Apontam dados, números, esclarecem fatos, falam do que viram e do que nunca viram. É uma onisciência invejável, admirável, tamanha a certeza de suas desenvolturas em cima de palanques, diante dos mais virulentos entrevistadores.
Depois de eleitos, como que passando por um processo rotineiro de amnésia protocolar, esquecem de tudo, de números, projetos, compromissos e até de possíveis companheiros. Passam a saber de nada, ter visto nada, ter presenciado nada. Assim sempre tem sido em nosso país, desde o início.
De Paulo Maluf, com seu mais solidificado elenco, ao presidente Lula, que descortinava a esperança de alguma mudança, o quadro é o mesmo, para desespero e lamento de todos nós, eleitores brasileiros.
Em campanha, fazem tudo, acendem uma vela para Deus, outra para o diabo. Eleitos, regurgitam em todos os pratos em que comeram e fatiaram a esperança de cada um dos brasileiros, em um tétrico banquete dos eleitos pelos vencidos. Ignaros e fariseus, homens de pouca fé, servos de vários senhores.
Produto de uma nação de enganados e esquecidos, os profetas de falsas promessas se reinventam, se remodelam, se superam, na realidade diária de enganar o povo, fazendo de seus mandatos e de nossas vidas uma eterna comédia dell'art com medíocres atores. Tão pobres em sonhos, tão ridículos em convicções, que fazem de nossas vidas uma patética encenação, um monólogo das piores frustrações humanas.
Como mestre de vários disfarces, Antônio Carlos Magalhães era um Lázaro que debochava da consciência cívica. Depois de covardemente abandonar o posto, voltou ungindo pelo assistencialismo das eternas mazelas do pobre povo baiano, como um fantasma saído da catacumba dos esquecidos. Essa é a democracia que podemos exercer, essa é a liberdade de escolha que ainda podemos ter, essa é a nossa real política que impera.
Somos, nesse processo vicioso, corrompido e comprometido, a viúva que entrega, em forma de doação, a sua única moeda, dando sempre ao impostor aquilo que não temos, aquilo que dentro desse cenário, nunca teremos.
Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor
www.petroniosouzagoncalves.blogspot.com


O Brasil nosso de todo dia
“Purgatório da beleza e do caos”, o Rio de Janeiro, rotineiramente, acerta em cheio uma bala perdida em nossos corações. De meninos arrastados pelas ruas a mães baleadas enquanto embalavam nos braços seus filhos, o Rio de Janeiro vai dando-nos as mais tristes páginas de nossa pobre vida diária, tingidas pelo sangue dos mais puros inocentes.
O que há de mais belo e divino convive com o que há de mais triste e diabólico na paradisíaca cidade, fruto da conivência e convivência entre os poderes instituídos e estabelecidos. O poder do tráfico se fortalece com o tráfico de influência, amplamente exercido e propalado na outrora capital federal, a cidade maravilhosa até para os bandidos.
Vale lembrar que nas favelas não se planta maconha, não se processa cocaína, não se fabricam armas. Tudo que lá existe, vem de fora, sempre subindo os morros tortuosos da eterna desilusão humana. Para cada barreira de fiscalização, uma generosa oferta, garantindo a felicidade e a impunidade de muitos.
Mesmo com todas as guerras fratricidas, com todas as intervenções militares - dia-a-dia nas favelas e morros cariocas - os traficantes do Rio continuam sendo abastecidos por drogas e armas. Assim, eles se tornam fonte de extração, de fornecimento barato de drogas e armas, garantindo o lucro do poder institucional. Aí é que está o verdadeiro crime, aquele que o Estado não quer acabar em sua totalidade.
Isso é o que fizeram com o Rio de Janeiro, esse é o verdadeiro retrato do Brasil. Assim é o nosso país, matando, diariamente, aqueles que escolheram e querem mostrar um caminho diferente, uma nova visão de mundo, de vida, como foi o assassinato de Evandro João da Silva, o coordenador do grupo AfroReggae. Evandro representava o Brasil que deveria ser. Aqueles que o mataram, representam o Brasil que é! Aqui a vida humana vale tão pouco, menos que uma jaqueta e um par de tênis.
Ferido de morte, Evandro que lutava contra tudo e contra todos, e por sua iniciativa desenvolvia um importante projeto social nas favelas cariocas, na certa, imaginando um mundo melhor para seus filhos e netos, foi vitimado por tudo aquilo que tentou em vida combater. Justamente na hora em que mais precisou da ajuda do Estado, da intervenção da polícia, mais uma vez lhe foi dado as costas, declarando que para o Estado, uma alternativa de vida, de sonhos, pouco importa. Triste ironia de nossos dias, triste realidade nossa de todo dia.
Por certo, se os assaltantes e os policiais tivessem freqüentado seu projeto social, não seria ele vítima gratuita da violência que assola o país. E nós, os pobres coitados, acorvadados e aquartelados em nossas casas, assistimos, calados, a esta triste realidade social, no silêncio consciente e conivente de nossas salas. Na certa, guardados por Deus.
Como diz o velho adágio, “o diabo é assim: quando a gente pensa que ele não existe, é aí que ele toma conta”. Enquanto isso, os mortos vão ao poucos enterrando os seus mortos, em um dia ensolarado da mais bela e inspiradora primavera.
Petrônio Souza Gonçalves

Torpor e poder
Como as verbas destinadas às ongs companheiras e milhares de cargos criados dentro das grandes instituições nacionais, estatais e governos, Lula pensa que o Brasil é uma extensão de seu gabinete, de seu poder, de seus interesses. Assim sai montado em jato presidencial, de bota e roseta, demarcando o território nacional, fazendo de seu governo, das verbas e obras federais, o palanque despudorado das eleições do ano que ainda vem. É a privatização partidária do que é público, a bolsa ideológica da administração federal.
Há uma omissão covarde tomando conta do Brasil. Há um desejo barato de não se indispor com o poder atual e futuro. Há uma conveniência em não se expor e isso toma conta de todos os poderes, das entidades de classe, das instituições. Vivemos, desde sempre no Brasil, uma democracia da conivência, coisa de gente menor, coisa de povo menor, cada um com a sua bolsa familiar, cada um com seu mensalão ideológico, que compra o mais pobre agricultor e o mais destacado senador.
É o Brasil do medo que paralisa os braços, que cala a voz dos abastados, que aluga o indignado. Onde vai parar isso, não sei! Apenas vejo o desfile, desfraldado, em plena luz do dia, da caravana dos eleitos, aqueles que quando não compram, alugam. Vão dizer, como resposta, o que sempre ouvimos, que a caravana passa, enquanto os cachorros ladram. O poder é mesmo revelador!
Fico imaginando a grita petista que seria no Congresso se um outro presidente fizesse um décimo do que Lula fez até aqui para a sua candidata, aquela que se tornou estrela pop star da súcia planaltina, a ventríloqua do continuísmo. A democracia brasileira é uma democracia dos interesses, dos grupos, uma democracia privatizada e privativa.
No nordeste, no sul e no sudeste, onde tem obra, tem palanque; onde tem povo, tem discurso; tudo financiado pelo caixa um de nossos impostos, pelo Estado pelego, que só faz o que manda e pensa o patrão. Esse é o Brasil do presente, o eterno Brasil do passado. Um povo que vota e escuta discursos com a barriga cheia, com a marmita quente. A diferença talvez seja apenas essa: hoje, a marmita está quente, quando sempre esteve fria e, muitas vezes, vazia. É o néscio posando de super homem. Há aí uma paródia cruel do que é o ser brasileiro. Retrato de nossos dias, retrato de uma nação, infelizmente!
Enquanto isso, assistimos nosso presidente exibindo a nítida certeza da eterna impunidade, fazendo de um monte de terra o palanque para suas idéias e suas provocações. Coisa de sindicalista, que faz do discurso uma eterna cachaça, desfrutando do embriagante torpor do poder.
Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor
www.petroniosouzagoncalves.blogspot.com

A Evolução do Ensino da Aritmética
Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação, datilografia...
Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a bandeira nacional antes de iniciar as aulas.
Leiam relato de uma Professora de Matemática:
'Semana passada comprei um produto que custou R$15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer. Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender.
Por que estou contando isso?"
Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:

1. Ensino de matemática em 1950:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda. Qual é o lucro?
2. Ensino de matemática em 1970:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$80,00. Qual é o lucro?
3. Ensino de matemática em 1980:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$80,00. Qual é o lucro?
4. Ensino de matemática em 1990:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$80,00. Escolha a resposta que indica o lucro:
( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00
5. Ensino de matemática em 2000:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. O custo de produção é R$80,00. O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?  ( )SIM ( ) NÃO
6. Ensino de matemática em 2009:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$ 80,00.Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00.
( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00
7. Em 2010 vai ser assim:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$100,00. O custo de produção é R$ 80,00.
Se você souber ler coloque um X no R$ 20,00. (Se você é afro descendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa responder) :  ( )R$ 20,00 ( )R$40,00 ( )R$60,00 ( )R$80,00 ( )R$100,00

 Finalizando: Hoje um aluno resolve pichar a sala de aula e a professora faz com que ele pinte a sala, os pais ficam enfurecidos, e a professora é processada, pois provocou traumas na criança! Criança mal educada hoje será o marginal de amanhã.

Antônio Rodrigues, em 22/10/2009

O problema com as carroças
O Ministério Público Estadual, faz as vezes de Pôncio Pilatos, apenas aplica a Lei. Assim fica fácil, não se trabalha por justiça.
Qualquer um poderia aplicar a lei, basta saber ler.
Carroceiro, paga IPVA?
Carroceiro paga aquela infinidade de impostos embutidos dentro dos combustíveis?
Carroceiro paga aquela gigantesca carga tributária que existe para movimentar áquela enorme máquina de criar empregos, rendas e impostos que é a indústria automobilista?
Quem gera mais riqueza? Carroças ou os automóveis?
E essas riquezas também vão parar em programas de benefícios para muitos desses "pobres" carroceiros. Alguns carroceiros ainda maltratam seus animais. Ninguém pensa nisso?
Oito anos é mais do que necessário e suficiente para os carroceiros se organizarem e adequarem suas atividades. Estou cansado de dividir o espaço que pago, com sugeiras nas ruas, maus tratos aos animais com carroças sem placas, menores condutores, prejuízos, porque em caso de acidentes o carroceiro sempre se coloca na condição de coitadinho, e a "justiça" sempre acaba prejudicando áquele que paga e que deveria ter seus direitos protegidos e garantidos.
O mundo clama pela proteção dos animais e um pouco mais de segurança no trânsito. Na Segunda-Feira, o Ministério Público simplesmente vai dizer que a Lei é inconstitucional e pronto. Dane-se o resto. E depois, o que o Ministério Público Estadual vai fazer?
Como fica o cidadão que paga para andar nas já mal conservadas vias para veículos?
Chega de tantos direitos às minorias em detrimento das maiorias. Não nasci em berço de ouro, sempre estudei em escolas públicas, passei frio e fome. Então não venham me dizer que carroceiro é vitima de um sistema e que não teve oportunidade. Ninguém pode reivindicar nenhum direito se não tiver noção de dever.
José Antonio Rodrigues - Empresário
Av Fernandes Bastos, 762 - 95590-000 - Centro

Os autores são responsáveis por suas afirmações e não apresentam qualquer vínculo junto ao LN.

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